Um dia depois de milhares de brasileiros tomarem as ruas em protesto contra a corrupção, a falta de transparência e ética dos políticos, a Câmara de Franca mostrou o tamanho descompasso existente entre os interesses de seus membros e o anseio dos eleitores. Na tarde desta segunda-feira, o Conselho de Ética proibiu a imprensa de acompanhar o processo que apura a falta de decoro parlamentar do vereador Luiz Vergara (PSB), que deu um tapa na cara do marceneiro Hélio Vissoto, dentro do plenário, em um dos episódios de maior repercussão da história do Legislativo Municipal.
Na audiência marcada para a tarde desta segunda-feira, o presidente do Conselho, vereador Pastor Otávio (PTB), barrou a entrada da imprensa. A reunião foi convocada para analisar o pedido de afastamento do vereador Donizete da Farmácia (PSDB) do caso.
Em agosto do ano passado, Donizete se envolveu em uma confusão com o marceneiro Hélio Vissoto, o mesmo agredido por Vergara. Na ocasião, chegou a proferir palavrões e ameaças contra Hélio. Além do episódio, Donizete depôs na polícia como testemunha de defesa de Vergara no caso do tapa. Motivos que levaram ao pedido de suspeição assinado pelos vereadores Márcio do Flórida (PT) e Valéria Marson (PSDB).
Apesar do evidente interesse público no assunto, a imprensa não pôde acompanhar as discussões a respeito. Por cerca de 40 minutos, os vereadores Jépy Pereira (PSDB), Pastor Otávio (PTB) e Donizete da Farmácia permaneceram reunidos a portas fechadas. A única autorização dada foi para uma foto antes do início das discussões. Nada mais.
Questionado a respeito, o presidente do Conselho tentou justificar-se dizendo que a proibição era para evitar tumultos e o pagamento de horas extras ao servidor que auxilia os trabalhos. “Na semana passada, nós tivemos alguma dificuldade para conduzir os trabalhos, houve uma série de intervenções e acabamos adentrando o horário e a Câmara teve que pagar hora extra para o servidor. Por isso, eu preferi que a gente decidisse sozinhos e depois passasse as informações para vocês da imprensa”, disse Pastor Otávio.
Foi, então, que o vereador Jépy Pereira apresentou uma nova proposta: a de que todas as audiências realizadas pelo Conselho sejam feitas sem a presença de jornalistas. “Essas audiências têm que ser a portas fechadas, sim, e depois o senhor passa as informações.” Questionado sobre as razões do pedido, Jépy respondeu com quatro palavras. “É a minha opinião.”
Sobre o pedido de seu colega, o presidente do Conselho disse que vai avaliá-lo. “Nas próximas audiências, eu vou decidir como será e se a imprensa poderá participar. Vamos estudar se faremos as coisas só entre a gente.”
As próximas audiências estão marcadas para estas quarta e quinta-feiras. Na quarta, será a vez de Luiz Vergara ser ouvido e, na quinta, a de Hélio Vissoto.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.