Desde meados do ano passado o País tem acompanhado, incrédulo, as informações da Operação Lava Jato, da Justiça Federal, que descobriu um esquema de fraudes e pagamento de propinas que vinha funcionando na Petrobras. As delações premiadas do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, a princípio não traziam qualquer indício de que a rapinagem na petroleira tinha sido tão grande. Hoje, já se informa que bilhões de dólares foram pagos a mais pela empresa ao ‘clube das empreiteiras’, dinheiro que entrava como doações legais no caixa de campanha não apenas do PT, mas também irrigavam as contas do PMDB e do PP, os dois principais aliados da presidente Dilma desde o seu primeiro mandato.
Outras delações premiadas foram acertadas e os detalhes continuaram estarrecedores. De acordo com denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e acatada pelo ministro Teori Zavascki, relator do processo no STF (Supremo Tribunal Federal), mais de quatro dezenas de políticos (incluindo governadores, senadores e deputados com mandato, ex-ministros e ex-governadores) estavam sendo beneficiados. Difícil não acreditar e pensar que faltam provas para as denúncias. Ou que pelo menos alguns dos citados não tenham qualquer relação com o esquema criminoso.
A indignação geral, um dos motores dos protestos ocorridos na sexta-feira e os programados para este domingo, é contra a corrupção que corroeu os cofres da maior empresa estatal brasileira, fazendo-a perder mais da metade de seu valor de mercado. Mesmo as manifestações em defesa da presidente, ontem, levantavam a bandeira de luta contra a corrupção, fortemente enraizada na vida pública brasileira.
Embora os implicados agora externem indignação com as acusações, é bom lembrar que nenhuma delas seria aceita caso a investigação da Polícia Federal -- e os depoimentos de implicados -- não reunissem provas destas afirmações. Posto isso, vê-se que a defesa dos agentes políticos e públicos baseia-se no ataque aos investigadores e, agora, aos que irão julgar as denúncias de Janot. Defender-se atacando é um argumento dos que não têm como comprovar o seu distanciamento do esquema de fraudes. É tentar desviar o foco, mas se não apresentarem argumentos sólidos, dificilmente conseguirão se safar de uma condenação.
Atacar o procurador, juiz ou investigadores não é o caminho para aqueles que começam a ser processados. Eles precisam, sim, provar que não têm nada com o peixe. Será que resistirão a uma quebra de sigilos fiscal e telefônico? Esperar que a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Câmara dos Deputados produza algum resultado (mais da metade de seus membros recebeu doações das empreiteiras investigadas) é um sonho distante. O único anseio dos brasileiros, que acompanham cada lance da Lava Jato com interesse, é que o Supremo cumpra seu papel com isenção e responsabilidade, punindo todos aqueles que utilizaram da rapinagem contra a Petrobras para alavancar campanhas eleitorais ou seus próprios patrimônios.
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