Bruno tem 34 anos, é advogado formado pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP) e economista pela PUC-SP. Carrega o sobrenome do ex-governador Mário Covas e começa a trilhar o mesmo caminho percorrido pelo avô, seu maior inspirador na política. Foi presidente estadual e nacional da juventude do PSDB, ocupou cargos na Executiva Estadual e, hoje, é secretário Geral do partido no Estado.
Em 2006, Bruno Covas foi eleito deputado estadual com 122.312 votos. Em 2010, foi considerado pelo Movimento Voto Consciente o deputado mais atuante do Estado. Dois anos depois, foi reeleito com 239.150 votos, a maior votação do Estado. Em 2011, convidado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), tornou-se Secretário do Meio Ambiente. Em outubro do ano passado, foi eleito deputado federal com 352.708 votos, quarta maior votação do Estado e o deputado mais votado do PSDB.
Mesmo estreante no Congresso Nacional, foi escolhido este ano como um dos membros da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobrás e vai conduzir a sub-relatoria que investiga a constituição de empresas com a finalidade de praticar atos ilícitos. O herdeiro político de Mário Covas esteve em Franca, sexta-feira, e concedeu esta entrevista exclusiva ao Comércio da Franca.
Qual o segredo para receber 352. 708 votos?
Trabalho. Se fosse fácil, a gente elaborava um manual e sairia vendendo, mas em política não tem uma regra só. É trabalhar e contar com a população, contar com aqueles que são fiadores e avalistas. A população vive um momento de descrença muito grande em relação à classe política. O diferencial em uma campanha é ter fiador e avalista, gente que possa multiplicar isso, que possa avalizar o seu trabalho.
O sobrenome Covas tem um peso político muito grande. Como lida com essa responsabilidade?
É um peso muito pesado. A comparação sempre vai ser desfavorável a mim, porque acho que ele foi um político completo. Passou e teve uma excelente experiência no Parlamento e no Executivo, como deputado, senador, prefeito e governador. Por onde ele passou, deixou sua marca. Mas, ao mesmo tempo, é um peso que é muito leve. Imagino que deve ser muito mais difícil carregar outros sobrenomes da política nacional. No dia 6 de março, completaram 14 do falecimento dele e, onde passo, as pessoas vêm contar histórias, como se fosse ainda hoje algo muito presente. É um prazer e uma alegria ter este sobrenome. Divido a responsabilidade com outras pessoas. Acho que seria muito pouco para a história dele se só eu fosse herdeiro político de Mário Covas.
Mário Covas foi o grande incentivador para a entrada na política?
Ele mesmo não incentivava todo mundo a adotar essa vida louca de político, mas foi o grande exemplo, minha grande inspiração. Fui seguindo os passos dele e aprendendo.Tive a oportunidade de conviver com ele durante seis anos e verificar que não era uma pessoa que fazia discurso para fora. A preocupação dele era algo que o incomodava, que tirava sono. Ele levava para dentro de casa a mesma preocupação e o discurso que tinha quando saía.
O senhor morou seis anos no Palácio dos Bandeirantes. Quais recordações tem daquele período?
Meus pais moravam, como moram até hoje, em Santos, e eu fui estudar em São Paulo. Moramos ele, eu e minha avó no Palácio, de 1995 a 2001, quando ele faleceu. Foi um período muito rico do ponto de vista da experiência. Me lembro quando ele chegava logo após enfrentar manifestantes, quando chegava preocupado com alguma decisão que precisava tomar. Eu já era adolescente, estava na faculdade e foi uma experiência muito satisfatória.
Sonha em voltar ao Palácio na condição de governador?
Acho que não tem político que não sonha com isso. Da mesma maneira que em uma empresa você quer seguir carreira, na política também é assim. O problema é que não depende só da gente. Primeiro, que a cada quatro anos, temos que prestar um novo vestibular. A população é que vai dizendo qual o seu tamanho político e se você pode continuar fazendo política. A candidatura a governador é coletiva, não basta apenas da minha vontade. Depende da vontade de outros deputados, do partido e de outros partidos. Quem sabe eu terei o meu momento de enfrentar um desafio como estes. Na política, a gente vai plantando, regando e, quem sabe um dia, você tem a oportunidade de colher.
O nome do senhor é cotado dentro do PSDB para disputar a Prefeitura de São Paulo em 2016. Como avalia a possibilidade?
É outro sonho, não há a menor dúvida. Seria uma alegria muito grande estar num lugar onde meu avó também já passou. São Paulo tem o sexto maior orçamento do País, é um orçamento muito maior do que vários Estados brasileiros, uma cidade conhecida no mundo todo, são 12 milhões de pessoas, que recebem outros 12 milhões de turistas por ano. Seria uma experiência excepcional, mas a gente está vivendo um período em que a população está indo para a rua protestar. Não é o momento de discutir nomes, coligações.
O senhor sempre defendeu que é possível fazer política com ética. Mas, o que vemos, é uma sequência interminável de casos de escândalo e corrupção. Ainda acredita na ética na política?
Primeiro, é importante fazer uma separação: que bom que a gente vive um momento no País em que a imprensa pode mostrar este tipo de acontecimento. Já vivemos um período em que a imprensa era proibida de reproduzir, de falar, de criticar e apontar erros no governo. Às vezes, a gente vê as pessoas querendo voltar à uma situação que é muito pior do que a gente vive hoje. Segundo, isso mostra que a democracia no País precisa amadurecer e se aperfeiçoar com mecanismo para que a gente possa fazer um recall no meio do caminho, uma mecanismo que a gente possa aproximar mais o representante dos representados. Hoje, os políticos aparecem de quatro em quatro anos. As mídias sociais têm feito um papel importante nessa aproximação. Devemos repensar a escolha dos nossos representantes, repensar o que estamos vivendo hoje na política. Eu não perco a esperança. Quanto mais a gente mostra, mais põe o dedo na ferida, mais chance a gente abre para a renovação, para a gente rediscutir as campanhas políticas e a nossa representação. Espero que aqueles que hoje não querem participar, que possam ir para a rua, que possam se filiar e se candidatar. Não basta a gente esperar que as coisas vão cair do céu. As pessoas precisam se mexer, parar de olhar para o próprio umbigo e poder fazer política.
Como avalia o fato de um vereador de Franca ter agredido um eleitor com uma tapa na cara durante uma sessão?
Foi uma atitude muito infeliz. Não foi à toa que teve uma repercussão em nível nacional. Se não fosse algo tão inusitado, não teria essa repercussão tão grande. Primeiro, acho que o agressor tem que passar por um processo de julgamento, seja dos seus pares, do ponto de vista de possível quebra de decoro, seja pelo Poder Judiciário. Agora, a gente toma uma tapa na cara todo dia do governo federal. Por isto, que a população está indo para a rua. Este é um tapa na cara que dói ainda mais do que a cena que a gente viu aqui em Franca.
O senhor é sub-relator da CPI da Petrobrás. Onde vai parar o fundo deste poço, que não é de petróleo, mas de corrupção?
Essa semana, tivemos os primeiros depoimentos, onde um ex-gerente da Petrobrás que, só na conta pessoa física dele, tinha no exterior US$ 97 milhões. Ele disse que, para cada real que recebia como propina, o PT recebia dois reais. Ele falou de forma clara que, a partir de 2003, a corrupção foi institucionalizada na Petrobrás. Recebi, há poucos dias, o manual de ética da Petrobrás e que, na capa quem está é, exatamente, o Pedro Barusco. Isto mostra o clima que se criou ali a partir de 2003. Espero que nesta CPI a gente possa demonstrar, cada vez mais, o quanto (de corrupção) se praticou ali, quem acabou se beneficiando deste esquema, porque este dinheiro foi para algum lugar, foi para alguém, não evaporou. Nosso desafio é apurar quem participou da elaboração deste esquema, quem eram os operadores e, quem sabe, a gente possa passar a limpo a Petrobrás, que é uma instituição do coração de todos o brasileiros, que todos respeitam e admiram, mas que está vivendo este problema grande de queda de preço e de desmoralização. Que a gente possa reestatizar a Petrobrás, porque ela foi privatizada por uma grupo político, por um partido político. Acho que a CPI pode colaborar muito com as investigações que estão sendo feitas, porque ela tem um escopo ainda mais amplo do que a operação Lava Jato, com a investigação de subsidiárias, de sociedade de propósito específico e da venda de ativos na África. A abrangência é maior e a CPI vai poder colher documentos para eventuais processos no Conselho de Ética da Câmara, que não tem o poder de quebrar sigilo, de solicitar documentos para fora. Com a CPI de posse destes documentos, a gente vai passar para o Conselho tomar as atitudes que precisam ser tomadas em relação aos deputados que estão envolvidos.
Neste domingo, a população promete ir às ruas em todo o País para mostrar sua insatisfação com o Governo Federal e para cobrar mais rigor contra a corrupção. O senhor defende o impeachment da presidente Dilma Rousseff?
Precisamos esclarecer que impeachment não é terceiro turno, que não é nenhuma criação do PSDB. O impeachment é previsto no nosso ordenamento jurídico, é uma regra clara que já aconteceu no País e que o País não acabou por isto, muito pelo contrário, saiu de outra crise que tivemos no governo Collor. Acho que ainda não tem clima político para isto. Esta discussão ainda não está na mesa. Mas pode estar. No momento apropriado, vamos verificar se é caso de impeachment ou não. Hoje, vivemos o clima do “ainda não”. Talvez, a gente chegue ao clima do “por que não?”. Vamos aguardar os desdobramentos. É uma questão jurídica, de levantar provas, envolvimentos, beneficiados e uma questão política. Acima de tudo, o Congresso é uma casa de representação política e da vontade popular. Estamos atravessando mais uma etapa, mais um ato deste processo que acontece neste 15 de março, mas este processo não se encerra hoje. Ninguém sabe onde vai chegar, mas pode ser que aconteça.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.