Nós somos os responsáveis


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Não é a primeira vez que o alerta se faz: se não houver uma conscientização da própria população para evitar uma epidemia de dengue no País, as autoridades de saúde ficarão de mãos atadas. O descontrole, que deixa quem trabalha no controle sanitário do País sem muito que fazer, pode ser revertido, caso uma série de providências sejam tomadas. A dengue, que há pouco mais de duas décadas se imaginava erradicada, voltou com força total, causando milhares de vítimas a cada ano e, infelizmente, diversas delas fatais. A dengue é um perigo constante e as cepas do vírus transmitido pelo mosquito aedes Aegypti tornaram-se mais resistentes, prejudicando ainda mais o combate. Na forma mais grave, a hemorrágica, a doença pode levar à morte caso não seja diagnosticada e tratada precocemente.
 
Conforme reportagem do Comércio, em sua edição de ontem, o número de casos de dengue em Franca triplicou no primeiro bimestre de 2015 em comparação com o mesmo período de 2014. O número de ocorrências da doença saltou de 34 nos dois primeiros meses do ano passado para 108 casos no mesmo período deste ano, considerando os pacientes que adquiriram a doença na cidade (autóctones). Somando os francanos que contraíram a dengue em outras localidades, o número de vítimas salta para 154 somente no primeiro bimestre do ano. Assim como aqui, a progressão também é registrada em outros municípios do Estado de São Paulo, sendo que alguns (como Campinas, Ribeirão Preto e Bauru, entre vários outros) já vivem em situação de emergência.
 
O próprio diretor da Vigilância Municipal em Saúde, José Conrado Netto, aponta que um dos motivos para o aumento de 317% dos casos se deve à estocagem de água feita pela população por causa da grave estiagem que vivemos por aqui desde o ano passado. Ele ressalta que o descuido dos próprios francanos contribui para a proliferação do mosquito, uma vez que as larvas continuam encontrando condições propícias para se desenvolver em recipientes com água parada. Não se pode exigir que se deixe de estocar água, já que ainda vivemos a chamada crise hídrica, mas há a necessidade de que os recipientes sejam tampados para evitar que o mosquito da dengue deposite os seus ovos.
 
É necessário que nós mesmos nos responsabilizemos por evitar que a proliferação do aedes Aegypti aconteça, enquanto ainda não tenha sido encontrada uma fórmula capaz de combater uma epidemia. Substâncias químicas e mosquitos modificados geneticamente ainda não têm sua eficácia comprovada cientificamente e, mesmo assim, produção ainda é pequena para fazer frente à demanda. Por isso, ninguém pode se sentir ofendido caso receba a visita de equipes da Vigilância Sanitária. Elas são capazes de detectar os descuidos e orientar os munícipes quanto a formas de destruir os criadouros. Apenas com o nosso comprometimento teremos condições de evitar que a situação chegue ao descontrole, sem que haja condições de impedir uma tragédia.
 
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