Educação x violência


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Houve uma época em que alguns políticos sérios diziam, com toda a propriedade: investir em escola é garantia de que passemos a investir menos em presídios. Hoje, o que se vê por aí são crianças livres para delinquir, muitas vezes usando a violência, quando deveriam estar dentro das salas de aula. A detenção de dois menores no Rio de Janeiro, dias atrás, serve de alerta para a situação: dois meninos, de oito e doze anos de idade, foram capturados pela polícia depois de roubarem um cordão de ouro em rua da capital fluminense. O caso, estarrecedor, não fica nada a dever ao que vemos diariamente em todo o Brasil. Em São Paulo, um garoto de 12 anos foi detido dezenas de vezes ao roubar veículos para trocá-los por drogas. Em Franca, houve mãe que fez um pedido público de socorro para conseguir internar o filho, da mesma idade, que estava roubando para manter o vício.
 
Este tipo de caso, além de assustador, escancara uma realidade que nossas autoridades, principalmente legisladores, tentam ignorar. Enquanto o Brasil não investir com maior intensidade no ensino formal, as perspectivas de futuro serão sombrias. Não basta aplicar as verbas destinadas ao setor. É preciso se conscientizar de que somente uma escola de qualidade, com professores bem pagos e motivados, será capaz de retirar um grande contingente de crianças envoltas nos tentáculos da criminalidade e da violência. Nossas leis privilegiam a proteção da infância e da juventude, mas nada fazem quanto às suas responsabilidades: menores de idade têm direitos, mas não deveres. Aliada à inexistência de atrativos que os levem às escolas, crianças e adolescentes são fortemente prejudicados por causa de uma demagogia que não busca colocar em primeiro lugar o seu real bem estar.
 
Hoje, uma corrupção endêmica e profundamente enraizada na vida política brasileira tem sido capaz de desviar milhões de um dinheiro que deveria estar sendo direcionado para a Educação e para a Saúde Pública. Não há interesse em melhorar estes dois setores bastante sensíveis, quando os interesses pessoais superam os coletivos. Isso é um crime que se comete contra o País, que não cresce economicamente, penaliza a sua população e permite que desvios sirvam para o enriquecimento de alguns poucos em detrimento da maioria da população que luta para prover o próprio sustento.
 
Não bastam planos, estudos, estratégias. É necessária vontade política para que os desvãos, onde as verbas públicas se esvaem, sejam eliminados. É necessária uma coragem além da vontade para que as escolas readquiram a importância de décadas atrás, com a valorização dos educadores e funcionários, o que já seria capaz de elevar o interesse pela busca do conhecimento. A desmotivação que começa a se abater sobre professores, responsáveis pela formação intelectual de geração após geração, é refletida também no que é ensinado e no interesse dos próprios estudantes. Caso não haja uma forte aliança em todos os níveis da administração pública, dificilmente seremos capazes de contar com uma escola forte, um primeiro passo para ganhar esta guerra contra o vício, a criminalidade e a violência.
 
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