Insatisfação é de todos


| Tempo de leitura: 2 min
As vaias que a presidente Dilma Rousseff (PT) recebeu na terça-feira, quando visitava uma feira voltada para a construção civil, na capital de São Paulo, traduzem os sentimentos de todos os brasileiros, os quais se sentem ludibriados pelas ações tomadas logo no início do segundo mandato da chefe da Nação, justamente porque ela acabou anunciando medidas que havia garantido, durante a campanha eleitoral, que não tomaria. Além de tentar modificar alguns benefícios trabalhistas, ainda reduziu o repasse para programas sociais e educacionais, como o Fies (Financiamento Estudantil) e para estabelecimentos de ensino ligados ao Pronatec, que ela utilizou largamente como bandeira de campanha.
 
A inflação, que continua crescendo depois do reajuste nos preços dos combustíveis e da energia elétrica, está pesando cada dia mais no bolso do trabalhador brasileiro, que tem que pagar imposto sobre a renda e sobre o consumo, criando uma alta carga tributária que não encontra contrapartida em serviços públicos de qualidade. Além disso, o noticiário político tornou-se uma extensão do policial, sendo dominado por informações a respeito da Operação Lava Jato, que descobriu um esquema de corrupção sem precedentes na maior estatal brasileira, a Petrobras. Por causa disso, dos desvios e pagamentos de propinas, a empresa já perdeu mais da metade de seu valor de mercado. O envolvimento de políticos, notadamente do PT, do PMDB e do PP, os três principais aliados da presidente, causa ainda mais indignação.
 
Os indícios são claros e, ao contrário do que tentam fazer crer o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e os defensores da presidente Dilma Rousseff, as vaias de anteontem — e o panelaço de domingo — não são apenas o protesto de uma “elite branca paulista” ou partem dos que não votaram na presidente. Quem a vaiou anteontem, em São Paulo, não foram apenas os expositores da feira: havia ainda os que esperavam a abertura do recinto para percorrer os corredores e muitos se preparavam iniciar o seu trabalho nos estandes instalados no local. Está equivocado quem acha que a presidente ainda conta com o apoio de todos que votaram pela sua reeleição.
 
A deterioração ainda mais séria da economia brasileira, atingindo inapelavelmente a produção e o mercado de trabalho, é sentida por todos, dos trabalhadores ao empresariado. As perspectivas para os próximos meses ainda são mais sombrias, uma vez que o Planalto não conta com uma maioria líquida e certa no Congresso Nacional para aprovar o ajuste fiscal apresentado pelo ministro Joaquim Levy (Fazenda). Caso as coisas piorem -- e a dona de casa tem sido testemunha do aumento de preços nas gôndolas dos supermercados, o primeiro indício de uma inflação resistente e em alta -- o governo federal não será capaz de recuperar uma economia combalida por quatro anos de descontrole e comando inadequado, tornando ainda mais alta a insatisfação dos brasileiros. Aí, Dilma Rousseff vai ter mesmo que se encastelar para não sofrer novos revezes a qualquer aparição pública. Nem a ação de seu marqueteiro pessoal será capaz de reverter a situação.
 
email opiniao@comerciodafranca.com.br
 
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários