O vigilante de um curtume instalado na Zona Rural de Franca, proximidades do Distrito Industrial, foi ferido com dois tiros, no final da noite de terça-feira, em seu turno de trabalho. Após render um funcionário da área de produção do estabelecimento, dois marginais arrombaram a porta da sala de monitoramento, onde estava CHN, 60. Um dos marginais, de posse de uma arma, efetuou três disparos no interior da sala. O idoso foi atingido no abdômen e no quadril, lado direito. A dupla fugiu do local sem levar nada. O vigilante foi socorrido por uma viatura da Polícia Militar em razão da gravidade dos ferimentos e acabou internado na Santa Casa de Franca.
A polícia, com base em depoimentos, apurou que dois bandidos invadiram as instalações do curtume por volta das 22h30. “Eles renderam um funcionário e perguntaram se haveria mais alguém no local. Este funcionário disse que o vigia estava na sala de segurança e foi obrigado a indicar a sala”, comentou o delegado Márcio Garcia Murari, titular da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Franca, que apura o caso junto com a equipe do 2º Distrito Policial, comandada pelo delegado João Walter Garcia.
Assista:
Em relato prestado na noite do crime, o vigilante disse que viu a dupla render o colega. Depois, eles arrombaram a porta e efetuaram três disparos, atingindo-o duas vezes. Só que a vítima havia acionado o “botão do pânico” (sistema de alarme que comunica empresas de monitoramento sobre crimes em andamento). Eles fugiram sem levar nada.
O Copom (Centro de Operações da Polícia Militar) recebeu comunicado via fone da empresa de monitoramento sobre possível roubo em andamento. Uma guarnição que estava em patrulhamento pela área do Distrito Industrial foi a primeira a chegar ao local dos fatos. Devido à gravidade dos ferimentos, o vigilante foi socorrido pela viatura da PM. Submetido a cirurgia para retirada do projétil alojado no abdômen (o tiro no quadril entrou e saiu), o vigilante segue internado.
“Estamos dando prioridade na investigação deste caso”, destacou, ontem, o delegado Murari. Uma equipe foi designada para tentar elucidar os fatos e identificar os autores do crime. Imagens da tentativa de roubo foram gravadas pelo circuito interno do curtume e estão sendo analisadas. O colega do vigilante, arrolado como testemunha, foi ouvido informalmente e deve prestar novo depoimento nos próximos dias.
Segunda vez
O ataque ao curtume foi o segundo em menos de um mês, revelou o proprietário, empresário PLBP. Em fevereiro, o mesmo vigilante foi torturado, amordaçado e amarrado por assaltantes armados. “Naquela ocasião, ele notou a invasão, acionou o ‘botão do pânico’ e os criminosos só não levaram nada, porque uma equipe da empresa de monitoramento chegou”, lembrou PLBP.
Há cerca de um ano, o empresário teve R$ 50 mil em couro furtados de um depósito no Distrito Industrial. Ele afirmou que o problema não está na falta de segurança, mas em pessoas do setor calçadista que compram couro mais barato, sem nota e sem saber a origem. “O couro roubado é vendido com facilidade. Existe comprador disposto a pagar menos pela mercadoria, mesmo tendo por trás o sangue de pessoas inocentes, como o do nosso funcionário, e empresas como a nossa, que pagam seus impostos em dia”, desabafou.
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