Dilma e panelaço


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A tensão aumenta a cada dia no cenário político nacional. O panelaço que respondeu ao pronunciamento da presidente da República neste domingo, é significativo. Tanto Dilma quanto os que a querem fora do poder precisam analisar firmemente qual a mensagem contida na manifestação e, a partir daí, buscar o seu caminho. Impossível ignorar que as passeatas, atos públicos e depredações havidas desde o levante contra o aumento das passagens de ônibus, trens e barcas demonstraram que o povo, quando quer, enfrenta tudo, e o governo é impotente para contê-lo. O panelaço é algo muito forte e – todos lembramos – derrubou, em 2001, o presidente Fernando de la Rua, da Argentina, cujo governo enfrentava desequilíbrio administrativo e econômico. Reservadas as proporções e diferenças entre os países, é o que aqui ocorre atualmente, acrescido dos escândalos de corrupção.
 
Pressionada pelas circunstâncias, Dilma teve de buscar sua equipe econômica em setores onde jamais iria se não estivesse com problemas. Apesar de toda blidagem do cargo, pesa sobre seus ombros a impopularidade de ter participado do conselho da Petrobras e não ter as visto irregularidades hoje escancaradas pela Operação Lava Jato. Suas atitudes pós-eleitorais, discordantes do discurso de campanha, minam-lhe a credibilidade. Até os seus parceiros ideológicos – as centrais sindicais – agora protestam, pois entre ficar com a companheira presidente ou com os trabalhadores, preferem os trabalhadores.
 
Os parlamentares hoje denunciados por receberem propinas – e os que ainda deverão ser denunciados – em suas defesas, certamente envolverão o governo e os governantes. Afinal, estiveram a serviço de uma estrutura de poder. Ninguém pode prever, com segurança, qual a potência desse abraço de afogados. Sem dúvida, será uma longa agonia que, possivelmente, a população não terá paciência para esperar o desfecho natural. É preciso que todos tenham absoluta responsabilidade e pensem no Brasil e não no poder pelo poder. Os oportunismos, independente de posição ou ideologia, têm de cessar e ser priorizada a regularidade da vida nacional. 
 
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo

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