Retórica e psicanálise


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Na contemporaneidade os discursos verbais ou não verbais tornam-se de conhecimento público em tempo real. O espaço da vida privada (particular) vem sendo mitigado a cada dia e para o político esse espaço praticamente acabou, já que a vida particular se confunde com a pública, logo, não se pode fazer na vida pública o que se faz na privada. Na pública tem-se como meta o bem comum, a coletividade e os interesses alheios enquanto que na privada se privilegia os próprios interesses.
 
Alguns políticos têm proferidos discursos atravessados, enviesados e contrários ao bem comum, em outras palavras, os discursos são manifestações pessoais/particulares. Sabemos que na vida particular podemos relaxar no controle das palavras/gestos, afinal, em casa soltamos as amarras/controles que são exigidos para viver em sociedade. O político não pode, no exercício do seu mandato, esquecer que representa o povo/eleitores, logo, não pode “descuidar” no exercício do seu mister, dos seus atos e falas.
 
Qualquer descuido pode sinalizar despreparo, falta de zelo consigo próprio e com o povo e, como consequência, gerar descrédito, desconfiança e repulsa. O resultado virá na próxima eleição. Ressaltamos que o exemplo é uma forma de persuadir e uma postura pautada na ética, na moral e na lei garantem um poder discursivo e uma persuasão possível de triunfo. Nos discursos há um encontro dos homens com a linguagem e a exposição das diferenças e identidades. Encontramos ou distanciamos dos outros pelos atos discursivos. Para ter eficácia o discurso preciso agradar, ensinar, comover e persuadir.
 
Estudemos Aristóteles, Platão, Meyer, Reboul, Perelman, Cícero, etc., ou seja, a retórica, ou outro de fácil compreensão, Luiz Antônio Ferreira, livro: Leitura e Persuasão. Desta forma compreenderemos o que Aristóteles sentiu “o absurdo que há em separar o pensamento de seu invólucro verbal, bem como os ecos diferentes que as palavras despertam no ânimo dos ouvintes”. Somar com psicanálise (análise pessoal) dará um upgrade e permitirá conhecer o inconsciente e suas manifestações (atos falhos, chistes e sonhos). Lembremos: políticos somos todos nós! 
 
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário
 
 

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