Ao mesmo tempo em que o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), sua mulher, Cynthia e os filhos processam uma cidadã francana que denunciou por uma rede social a utilização de um veículo público para fins particulares (e cujo motorista também cometeu infração de trânsito ao estacionar sobre uma faixa de pedestres), a Câmara Municipal de Franca deu mostras de que utiliza a mesma sistemática equivocada do chefe do Executivo francano. Em vez de se movimentar e buscar uma punição rápida e exemplar para o vereador Luiz Vergara (PSB), que agrediu um eleitor com um tapa no rosto, na semana passada, a Câmara enveredou por outro caminho.
Como aponta reportagem do Comércio na presente edição, uma semana depois do lamentável episódio, a Câmara teve segurança reforçada na reunião de ontem. A decisão partiu do presidente do Legislativo, Marco Garcia (PPS), numa tentativa de blindar a Casa de manifestações de outros eleitores, já que a agressão de Vergara ganhou repercussão nacional e atraiu um grande número de comentários e críticas por toda a cidade. O Portal GCN e as redes sociais registraram uma avalanche de postagens, a maioria condenando o ato do vereador e cobrando uma posição da Câmara.
Ontem, a entrada principal da Câmara (também conhecida como casa do povo) era guardada por seguranças particulares e guardas municipais, da mesma forma que as portas laterais do prédio. Quanto ao posicionamento dos demais vereadores a respeito do fato, com apenas duas únicas exceções (o delegado Radaelli, do PMDB, e Valéria Marson, do PSDB, se manifestaram, no dia da agressão, condenando o fato), eles buscam “blindar” o colega agressor, olhando para o outro lado, como se não tivessem nada com isso. O prefeito também ‘afaga’ o líder e aliado de última hora, como se esbofetear um cidadão que cobrava coerência política e transparência merecesse prêmio. Pelo contrário, qualquer ato violento não se justifica e pede algum tipo de contestação, de repúdio. Esbofetear um munícipe, como o fez o vereador Vergara, é ação truculenta de quem não tem argumentos para discutir e expor seus planos e ideias, conforme determina a convivência democrática.
Há inúmeros exemplos na História onde a vítima acaba sendo transformada no artífice da violência a que é submetida, no Brasil inclusive. O que não se pode admitir é que uma ação - Vergara diz que o marceneiro Hélio Vissoto “mereceu” ser agredido e se acha com a razão - sem paralelo nos anais da política nacional, passe batida, e não cause indignação naqueles que têm brio e desenvolvem suas ações amparados pela ética. Mais uma vez, a Câmara se apequena e prepara a massa para transformar um fato, que repercutiu de forma negativa em todo o País, em uma bela pizza. Por essa e outras é que o Legislativo francano já se transformou em motivos de piada, quando não de escárnio, junto à maioria dos eleitores. Os francanos de bem aguardam um posicionamento: uma punição exemplar, como a perda do mandato por quebra de decoro parlamentar, seria a melhor atitude se os vereadores tivessem um mínimo propósito de cidadania no cargo que ocupam até a próxima eleição. Qualquer outra decisão vai envergonhar ainda mais uma cidade que espera que seus representantes se portem à altura da função e façam jus aos votos que receberam.
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