Funcionários Tenny Wee completam seis meses sem receber


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Cerca de 400 funcionários assinaram o desligamento da empresa de calçados em agosto de 2014
Cerca de 400 funcionários assinaram o desligamento da empresa de calçados em agosto de 2014
Mais de seis meses após perderem seus empregos, perto de 500 trabalhadores da empresa Tenny Wee, em Franca, ainda não receberam seus direitos trabalhistas e aguardam na Justiça a solução do caso. A Tenny Wee fechou suas portas no dia 23 de agosto. De lá para cá, a luta dos advogados que defendem o contingente de trabalhadores demitidos é pelo pagamento de seus direitos trabalhistas e da rescisão de contrato, o que ainda não aconteceu.
 
O advogado Márcio Cunha, que defende 300 ex-funcionarios, disse que somente o grupo que ele defende tem mais de R$ 3 milhões em créditos trabalhistas. O restante, 194 empregados, cujo advogado é José Nelson Salerno, tem pendente perto de R$ 1,5 milhão.
 
Na tentativa de conseguir com que seus clientes recebam ao menos parte dos direitos que têm, Márcio Cunha informou que a Justiça Trabalhista, a pedido do Ministério Público do Trabalho, bloqueou bens e contas do proprietário da Tenny Wee, Alexandre Ferreira, de se seus sócios, promovendo alguns arrestos, mas todos com valores insuficientes para fazer frente ao total da dívida. O MPT vem tentando, segundo Cunha, a liberação do pagamento de férias e algumas contas de FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço). Para amanhã, nova reunião está marcada para tratar do assunto.
 
Ainda segundo o advogado, a lista de irregularidades cometida pela direção da Tenny Wee com seus funcionários é grande. “Em muitos casos, funcionários com seis ou sete anos de casa não tinham um único mês de FGTS recolhido em suas contas. Outros, com mais tempo de trabalho, tinham poucos meses do fundo pagos”, disse ele.
 
Como não tinham mais patrimônio declarado em seus nomes, Alexandre Ferreira desapareceu de Franca deixando para trás uma os ex-colaboradores sem condição de receber o seguro desemprego a que teriam direito em uma situação normal de demissão. ‘Os funcionários estão nos ajudando muito e toda notícia nova que aparece sobre Ferreira, nos comunicam. Mas, infelizmente, não temos muito o que fazer’, disse Márcio Cunha, se referindo aos boatos de que Ferreira teria aberto uma nova fábrica em Nova Serrana. Segundo os comentários, a empresa estaria funcionando e produzindo quatro mil pares por dia. A reportagem entrou em contato com o Sindicato dos Calçadistas na cidade mineira e a informação é a de que desconhece qualquer empresa instalada recentemente produzindo essa quantidade de pares de calçados. 
 
Recuperação judicial
A advogada Luciana Figueiredo Ramos, que defende Alexandre Henrique Ferreira em diversas ações na Justiça comum e trabalhista, disse que a possibilidade dele ter aberto outra empresa é, neste momento, improvável. 
 
A Tenny Wee, disse Luciana, “está passando por um processo de recuperação judicial cujo objetivo é cumprir com os compromissos com seus credores, preferencialmente seus ex-empregados”. De acordo com a advogada, a Tenny Wee está tentando vender a marca, o que poderia estar gerando confusão.
 
Ela não soube informar o valor da dívida trabalhista existente, cujo levantamento faria parte do trabalho de recuperação na Justiça. Alexandre Ferreira não está mais em Franca, para onde vem esporadicamente. Seu celular não dá mais sinal de que esteja em operação.

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