A família do garoto Leandro Silveira, que morreu aos 10 anos, após ir duas vezes, em menos de 12 horas, à UBS (Unidade Básica de Saúde) 24 horas do Aeroporto I entrou com processo contra a Prefeitura de Franca e o médico que atendeu o menino. Eles pedem R$ 1,017 milhão por danos materiais. Ainda não há previsão para a primeira audiência.
O caso foi aberto no dia 4 de dezembro de 2013, cerca de um mês após a morte de Leandro. Segundo o advogado da família, Reginaldo Carvalho, o cálculo da indenização é feito de acordo com a expectativa de vida do garoto. “Estamos pedindo indenização em consequência do erro médico. O valor da indenização é calculado de acordo com a idade da criança e a expectativa de vida dela”, disse Carvalho, ressaltando que a conta leva em consideração também a saúde de Leandro na época. “Ele era um menino saudável, bem nutrido, então a possibilidade de ele entrar no mercado de trabalho era grande.”
Ainda não houve nenhuma audiência do processo. A expectativa de Carvalho é que a sentença saia no final deste ano.
O pai do garoto, o pespontador Adilson Silveira, 49, disse que entrou na Justiça para que novos casos de atendimento envolvendo possíveis negligências médicas não aconteçam na rede pública de Franca. “Quero ir fundo nessa história, para que isso não aconteça com outros. Para mim, é muito difícil. Cada vez que falo do caso, ainda é muito doído, mas quero ir até o fim.”
A morte
Na tarde do dia 30 de dezembro de 2013, o garoto Leandro Silveira foi levado à UBS 24 horas do Aeroporto I pelo seu irmão mais velho, o pespontador Lucas Silveira, hoje com 24 anos. O menino estava sentindo fortes dores abdominais, mas apesar das queixas do garoto, a família relata que sua consulta durou apenas três minutos.
“Foi meu filho mais velho quem levou ele na UBS. Deixei os dois lá e saí, porque tinha um compromisso de trabalho. Mas não demorou nem quatro minutos e eles me ligaram falando que já tinha terminado a consulta, que durou uns três minutos só”, disse o pai do garoto. Segundo ele, Leandro foi diagnosticado com gases.
No mesmo dia, o menino voltou a reclamar de dores na hora de dormir. “Ele estava gemendo de dor. Então, voltamos para a UBS. Mas, chegando lá, ele já estava...”, disse Adilson, que se emocionou e não conseguiu terminar a frase.
O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Emergência)chegou a ser chamado para prestar socorro a Leandro na UBS 24 horas, mas o garoto acabou morrendo na madrugada do dia 31 de outubro de 2013 na Unidade Básica. Um laudo médico apontou que Leandro morreu de apendicite.
“Ele era o meu companheiro. Uma ótima criança, não dava trabalho nenhum. No fim de semana antes dele morrer, tínhamos ido acampar. Ele estava tão alegre, subia no meu ombro pra pular na água, não queria parar”, contou Adilson, que é viúvo. A mulher do pespontador morreu em 2009, vítima de uma cirrose hepática. “Às vezes, penso em tudo que aconteceu e tenho vontade de... Sei lá... Mas procuro pensar nos meus dois filhos que ficaram e na minha netinha.”
Sem respostas
O Comércio tentou contato por telefone e encaminhou e-mail à assessoria de imprensa da Prefeitura e ao gabinete da Secretaria de Saúde na última segunda-feira, solicitando uma posição sobre o caso, mas nenhuma resposta foi enviada até o fechamento desta edição.
O médico que prestou o primeiro atendimento a Leandro na UBS do Aeroporto também é parte no processo movido pela família. Ele foi procurado em seu consultório, mas uma secretária informou que ele não estaria no local no momento de nenhuma das diversas ligações feitas para o estabelecimento do médico. Ele também não deu retorno até o fechamento desta edição.
De acordo com Carvalho, o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) também investiga o caso. Já teriam ocorrido cerca de quatro audiências para apurar a morte de Leandro. O conselheiro responsável pelo Cremesp em Franca, o médico Lavínio Nilton Camarim, também foi procurado por e-mail e telefone para comentar o caso, mas não foi encontrado e não deu retorno até o fechamento desta edição.
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