Depois da morte de Adriano, avó materna quer guarda do neto caçula


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O padrasto do menino morto pela mãe, Tiago Rodrigues, com o filho de 2 anos: ele foi indiciado por torturar os enteados
O padrasto do menino morto pela mãe, Tiago Rodrigues, com o filho de 2 anos: ele foi indiciado por torturar os enteados
A aposentada Maria José Jardim, mãe de Jane Aparecida Jardim, de 27 anos, que confessou ter espancado o próprio filho Adriano Henrique Jardim Ramos, de 5 anos, até a morte, está preocupada com o futuro do neto de 2 anos, também filho de Jane. 
 
Desde que a mãe foi presa, há 11 dias, o menino está sob a guarda do pai Tiago Rodrigues, que foi indiciado pela polícia por tortura contra Adriano e seu irmão mais velho, de 11 anos. 
 
Em seu depoimento, na última sexta-feira, Tiago confessou ter feito Adriano comer fezes depois que o menino fez cocô nas calças. Confirmou que, em uma ocasião, como Adriano estava demorando muito para comer obrigou o menino a mastigar mais depressa, o que fez com que ele vomitasse. Tiago disse que fez o garoto comer o próprio vômito. 
 
Contra o enteado de 11 anos, Tiago confessou que o obrigava a trabalhar na roça até tarde, carregando mourões de cerca com mais de 20 kg e sacos de esterco. Também afirmou já ter agredido os dois meninos como forma de educá-los.
 
Antes mesmo de saber da confissão, a avó já estava decidida a pedir a guarda do neto de 2 anos, que também já teria sido agredido por Tiago. “Eu não o conheço bem. Mas pelo que a minha filha contava ele não me parece um sujeito que possa cuidar bem de uma criança de 2 anos. Eu vou pedir a guarda do menino. Quero que ele venha para Campinas, para que eu possa cuidar”, disse Maria José.
 
Segundo ela, em telefonemas e visitas a Campinas, Jane teria dito que Tiago bebia muito e, nestas ocasiões, ficava violento. Ela também teria narrado à mãe uma briga com o marido porque ele estaria obrigando seu filho mais velho a trabalhar na roça. “Ela me contou que chegou até a pegar uma faca. Que ele dizia que não ia sustentar filho de vagabundo”, narrou a avó.
 
Para a reportagem, na tarde de quinta-feira, Tiago também admitiu ter problemas com bebida, mas negou as agressões. No dia seguinte, acabou confessando ao delegado Djalma Batista, responsável pelo caso. 
 
Maria José contou que nunca desconfiou que a filha e o marido estivessem agredindo dos netos. “Ela vinha aqui e eu não percebi nada de diferente. Por telefone, também ela dizia que até defendia os meninos. Achei que eram brigas normais.”
 
Sobre a prisão da filha, Maria José disse não ter notícia de Jane. “Eu não quero saber mais dela. Para mim, depois do que ela fez com os meninos, ela morreu. Não vou visitá-la na cadeia. Quero que ela morra por lá”, afirmou. 
 
Maria José ainda disse considerar a filha uma pessoa fria. “Aquilo lá não tem coração, não. É um monstro. Matar o próprio filho pequeno de tanto bater, só pode ser um monstro. Por favor, fale para a polícia que se as presas matarem ela na cadeia, não precisam me avisar, porque eu não vou no enterro.”
 
A aposentada está em Campinas à procura de um advogado. Sua maior preocupação é conseguir recursos para dar entrada com o pedido de guarda na Justiça. “Somos muito pobres, não tenho como pagar um advogado. Mas não vou desistir do meu neto”, afirmou.
 
Desde a sexta-feira, o Conselho Tutelar de Cristais Paulista transferiu os cuidados com o menino de 2 anos para parentes de Tiago.
 
 

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