São Gonçalo foi cenário de um episódio repugnante, registrado pela mãe de um adolescente de apenas 13 anos, que sofre de Síndrome de Batten, uma rara doença neurodegenerativa. Ela deixou o celular filmando em sua casa e fingiu ir a um salão de beleza e acabou registrando o namorado torturando o adolescente, que permanece em uma cadeira de rodas, devido seu estado de saúde ser debilitado. No vídeo, ele empurra a perna do jovem com muita violência, assim como o braço, em seguida, pega o jovem no colo e o joga com força sobre a cama no outro cômodo da casa que pode ser visto nas imagens.
A dona de casa, de 29 anos, já suspeitava das agressões por ter encontrado manchas de vermelhidão no corpo do filho. Ao ver a cena, ela não pensou duas vezes e chamou a polícia e Jeferson Basílio, de 27 anos, que trabalha na área elétrica de um estaleiro, foi preso em flagrante. Ele foi indiciado pelo crime de tortura e foi levado para Bangu 10, na tarde deste domingo, 8. O casal estava junto há apenas dois meses.
Jeferson chegou a ajoelhar e oferecer R$ 100 mil para que a namorada não o denunciasse, alegando que isto poderia prejudicar seu futuro e disse que só agiu daquela forma para acalmar o menino. “Ele tem que pagar muito porque uma pessoa dessas não é gente, é um animal”, disse a mãe. O jovem chegou a ser levado ao hospital, mas logo foi liberado, pois não sofreu lesões graves.
O outro filho da dona de casa estava no apartamento no momento da agressão, mas Jeferson teria deixado a criança dentro do quarto mexendo no computador, enquanto estava na sala com o volume da televisão no máximo, portanto, a criança não escutou e não presenciou o que aconteceu. Quando soube ficou horrorizado e está chorando desde então. A mãe pretende procurar um tratamento psicológico para ela e para o filho mais novo.
A criança também foi torturada em outras ocasiões e a mãe desconfiou quando encontrou o jovem com o nariz inchado, um corte no supercílio e outros machucados. A mãe relatou que o namorado sentia ciúmes do filho e que ele não tinha um bom relacionamento com a família. O psicólogo especialista em comportamento humano, João Oliveira, afirmou que uma pessoa que comete esse perfil de violência, apresenta dificuldade de empatia e ausência de emoção em relação aos próprios atos e certamente teria continuado a torturar as vítimas até alcançar um nível pior.
O crime foi registrado na 73ª DP, em Niterói. Jeferson foi autuado em flagrante por tortura e confessou a agressão. A Polícia Civil informou a imprensa, que o homem já tinha registro de lesão corporal, na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher, em 2014.
O jovem recebe um benefício do INSS por causa da doença que não tem cura e apresenta sintomas como problemas de visão, convulsões, mudanças de personalidade, dificuldades de aprendizagem, perda progressiva da capacidade motora, do equilíbrio e confusão mental. A mãe dedica-se exclusivamente aos filhos.
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