Iniciada sob tensão, a nova CPI da Petrobras convocou os pivôs da corrupção na estatal e dois ex-presidentes da companhia — José Sérgio Gabrielli e Graça Foster. Não chamou ainda, depoimentos das empreiteiras envolvidas. Para revestir-se de seriedade e chegar a resultados que atendam aos grandes interesses nacionais, empresários envolvidos não podem ficar de fora.
Devem ter muito o que esclarecer e, principalmente, o interesse de se safar — ou, ao menos — justificar sobre acusações de que teriam formado cartel para controlar e obter contratos de prestação de serviços à petrolífera a preços acima de concorrências normais.
Os operadores dos desvios têm de esclarecer à CPI e à nação os pormenores da ação criminosa que empreenderam e, especialmente, declinar o nome dos mandantes para que também esses possam ser alcançados pela dureza da lei. É preciso saber, fundamentalmente, quem (pessoas ou instituições) se beneficiou com a compra de apoio político e o enriquecimento indevido de políticos que receberam dinheiro sujo. A investigação não pode ficar apenas em quem botou a mão na massa ignorando mandantes ou chefes da máfia. Não pode repetir o mensalão, onde acessórios foram altamente penalizados e políticos já estão todos se safando! Mandantes sequer foram citados.
Nesse momento de rara independência em relação ao governo, a Câmara Federal não pode perder a chance de comportar-se como poder efetivo. Há que descer fundo nas questões, ou a CPI, ao invés de esclarecer, poderá terminar, mais uma vez, em demérito para o poder Legislativo. A corrupção é a grande desgraça nacional. Registros históricos dizem que chegou ao Brasil nas caravelas. Verdade ou não, o certo é que o desvio de finalidade do dinheiro público tem penalizado e até levado muitos à morte. O país vive momentos vergonhosos interna e externamente. Se os investidos de poder quiserem, poderão endireitar o país e recolocá-lo no caminho do progresso e da justiça social. Que a CPI diga a que veio...
Dirceu Cardoso Gonçalves
Articulista
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