Com a divulgação, na noite de sexta-feira,6, dos nomes dos agentes políticos envolvidos no esquema do Petrolão, os quais serão investigados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) vê-se que todas as informações divulgadas até aqui a respeito da Operação Lava Jato, baseadas nas delações premiadas do doleiro Alberto Rousseff e do ex-diretor da área de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, estavam corretas. Ao contrário do que tentaram fazer crer os envolvidos, não houve ‘vazamentos seletivos’ ou ilações dos órgãos de imprensa. Os pedidos de investigação, que partiram da PGR (Procuradoria Geral da República) deixam bastante claro que o esquema não é uma invenção da imprensa e muito menos dos partidos de oposição.
O ministro Teori Zavascki confirmou a investigação por formação de quadrilha contra 37 autoridades, entre elas os presidentes do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) e da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o presidente do PP Ciro Nogueira (PP-PI), o ex-ministro das Cidades Mario Negromonte e os mensaleiros Pedro Corrêa (PP-PE) e Pedro Henry (PP-MT), além do tesoureiro nacional do PT João Vaccari Neto e do lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano e apontado como o operador do PMDB no Petrolão. O atual senador e ex-ministro Edison Lobão também deve entrar no rol de investigados, o que não ocorreu agora por causa de um erro do procurador Rodrigo Janot, informou o relator do processo no Supremo.
A lista de políticos a serem investigados pode levar à inclusão de novos entes públicos nas próximas investigações. Os 28 inquéritos que investigarão 45 políticos com foro privilegiado foram abertos com base em apenas duas delações premiadas. No entanto, já foram fechados 15 acordos de delação premiada — recorde absoluto em investigações de escândalos de corrupção no País. Muito mais gente pode ser envolvida, ainda mais quando se sabe que as investigações agora miram o setor energético, pois o esquema teria funcionado também na construção da hidrelétrica de Belo Monte. Todos os envolvidos negam qualquer participação, mas o simples fato do STF ter aceitado abrir processo contra os nomes enviados demonstra que há pelo menos indícios fortes de sua participação.
Nunca, em nenhum instante da História da República brasileira, tantos nomes que participam ativamente da vida política do País se viram envolvidos num escândalo de corrupção como o que se instalou na Petrobras. Percebe-se que, mesmo com o julgamento do Mensalão, dezenas de parlamentares continuaram recebendo uma ‘mesada’, desta vez partindo das propinas pagas por contratos da Petrobras. É uma situação sem qualquer paralelo no Brasil e que coloca em xeque a ação de agentes políticos e entes públicos. Só o Partido dos Trabalhadores teria recebido mais de R$ 600 milhões (US$ 200 milhões, pelo câmbio atual) em dez anos (entre 2003 e 2013), grande parte disso como doações legais feitas pelas empreiteiras. Espera-se que o STF, agora, aprofunde as investigações e puna exemplarmente esta farra com o dinheiro público. Só isso será capaz de coibir novas tentativas de corrupção com o dinheiro dos impostos pagos pelos contribuintes brasileiros.
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