Quadrilha vendia remédio de cavalo em academia de Franca


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Material apreendido pela Polícia Civil servirão de provas no processo judicial
Material apreendido pela Polícia Civil servirão de provas no processo judicial
Mesmo com os líderes presos, a Polícia Civil de Franca, por meio dos agentes do 3º DP, continua investigando as ações da quadrilha que controlava na cidade o comércio clandestino e distribuição de anabolizantes e medicamentos de uso proibido no país. Ao longo da última semana, novas apreensões foram feitas e testemunhas prestaram depoimentos. Frequentadores de academia afirmaram que, além de anabolizantes, compraram da quadrilha produtos de uso veterinário destinados a cavalo. As afirmações vão complicar ainda mais a situação dos acusados. Eles vão responder a processos por crime contra a saúde pública, integrar organização criminosa e lavagem de dinheiro.
 
No dia 27, de fevereiro, os investigadores Ademar, Diego, Kauzio e Rogério, coordenados pelo delegado Leopoldo Novais, prenderam três pessoas apontadas como responsáveis pela venda, distribuição e aplicação dos produtos ilegais em Franca. Entre os presos, estavam um policial militar, lotado no 15º Batalhão, o dono de uma loja de suplementos, localizada no Centro, e seu funcionário. Eles não tiveram os nomes divulgados pela polícia.
 
No começo, o chefe da organização buscava os produtos no Paraguai. Depois, conseguiu dois grandes distribuidores em São Paulo e parou de viajar. “Os fornecedores mandavam uma lista com mais de 40 produtos e ele fazia as compras sem sair de casa. Recebia as encomendas em Franca por Sedex ou por ônibus “bate-volta”, disse o delegado. O PM preso, além de vender e aplicar os anabolizantes, repassava ao líder informações sigilosas que são apenas de consulta e uso das polícias.
 
Após as prisões, a polícia concentrou os trabalhos no sentido de formalizar as provas que vão fazer parte do inquérito a ser enviado à Justiça. “Localizamos e ouvimos diversos clientes dos integrantes da quadrilha, que confirmaram a atividade espúria desenvolvida pelos acusados. Também acrescentamos nova apreensão de anabolizantes, incluindo bronco dilatador para cavalos”, contou o delegado. 
 
O produto era consumido pelos usuários misturado com água para queimar gordura. A venda e aplicação eram feitas pelos membros da quadrilha e sem qualquer tipo de orientação. A polícia constatou um caso em que os acusados realizaram aplicação de anabolizante errado em um cliente e que insistiram com a prática, mesmo após descobrirem a falha. 
 
O veterinário Mário José de Castro Pereira explicou que medicamentos semelhantes aos apreendidos têm a função de aumentar a massa muscular e a resistência, mas que trazem muitos riscos. “Não podemos comparar a massa de um cavalo, que é muito maior, com a de uma pessoa. O uso frequente pode causar problemas pulmonares e cardíacos, como o infarto”, explicou.

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