O delegado Djalma Batista encerrou na sexta-feira o inquérito sobre a morte de Adriano e as torturas sofridas por C., de 11 anos, irmão da vítima. Jane Aparecida Jardim, mãe dos dois meninos, foi indiciada por tortura e por homicídio triplamente qualificado.
Segundo o delegado, ela impossibilitou qualquer reação da vítima, usou meio cruel e cometeu o crime por um motivo fútil. Ela está presa na Penitenciária do Tremembé.
Já Tiago Rodrigues, padrasto dos meninos, foi indiciado por tortura. O delegado chegou a pedir sua prisão temporária na tarde de sexta-feira. Mas o pedido foi negado pela Justiça. Nesta segunda um novo pedido, desta vez de prisão preventiva, deverá ser analisado pelo juiz da Vara da Infância e Juventude.
“O pedido faz parte do relatório final do inquérito entregue na sexta-feira ao Fórum. O juiz agora deve analisar os fatos e pode a qualquer momento decidir pela prisão preventiva de Tiago”, disse o delegado.
Depois de passar o dia na delegacia prestando esclarecimentos na sexta-feira, Tiago voltou para Cristais. Com medo de ser linchado, decidiu se esconder na casa de amigos. Ele pretende pedir demissão do emprego que tinha na Fazenda São José e se mudar para a casa do pai em Belo Horizonte.
O filho de dois anos que Tiago tem com Jane chegou a ser retirado do pai pelo Conselho Tutelar de Cristais Paulista na tarde de sexta-feira, mas seria devolvido na manhã deste sábado.
Silêncio
Ao ser questionado ainda na delegacia sobre as surras e os castigos que confessou ter praticado contra os dois irmãos, Tiago não quis se pronunciar. Disse que não daria entrevista.
Inconformado
Já em sua casa em Campinas, o menino C. soube que o padrasto foi mantido em liberdade pela Justiça e lamentou. “Eu queria que ele fosse preso por tudo o que fez comigo e com o Adrianinho. Não é justo que ele continue solto depois de tudo o que fez a gente sofrer”.
Sobre a mãe, o menino também disse que não quer vê-la, nem visitá-la na cadeia. “Ela matou o meu irmão. Ela acabou com a minha vida. Quero que ela fique presa para o resto da vida”.
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