Bom naufrágio, vereador!


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Fomos surpreendidos nos últimos dias por atitudes no mínimo estranhas da parte do vereador Luiz Carlos Vergara (PSB). Falo aqui de sua decisão de abandonar a oposição ao prefeito que ele tinha rotulado de ditador, tornando-se seu líder na Câmara. 
 
Após a confirmação de sua aceitação para esse ‘honrado’ papel, o ex-oposicionista deu ótimo exemplo de como tratar seus críticos, segundo os princípios de qualquer ditadura: porrada. Insólito foi ainda ver o vereador agressor registrar boletim de ocorrência contra a vítima da porrada, por ameaça e difamação. É cena de comédia pastelão.
 
Sua eleição para a Câmara, ocupando papel de destaque na oposição, contribuía para a fiscalização sobre o prefeito do PSDB. Mas justamente quando a saúde atinge uma situação de calamidade, com privatização, escândalos e investigações sobre pagamentos ilegais, o vereador muda de lado, e passa a defender seu novo ‘patrão’. 
 
Como não acredito nesse caso em altruísmo visando salvar um governo decrépito, incompetente e irresponsável, fica a pergunta que o vereador Vergara não respondeu: o que ele ganhou com isso? O que o prefeito ganhou é evidente — silêncio e conivência de uma até então importante voz oposicionista —, mas não está clara a contrapartida desse acordo. Não significa dizer que houve ato ilícito, mas algum tipo de acordo deve ter ocorrido.
 
Ao ser questionado com veemência por cidadão na Câmara, sua resposta extrapolou qualquer limite aceitável de quem ocupa um cargo eletivo ou função pública. Também me senti duplamente esbofeteado mas o tapa mais doído foi sua adesão ‘puritana’ a esse governinho que comanda a prefeitura de Franca. Escolheu esse caminho? Bom naufrágio! Tomara apenas que se cuide para não ficar sem bote ou sem colete salva-vidas...
 
Tito Flávio Bellini
Docente da Universidade Federal do Triângulo Mineiro

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