A entrevista concedida pelo pequeno C., de 11 anos, irmão de Adriano Henrique Jardim Ramos, 5, mostra que a morte do garoto poderia ter sido evitada se não apenas as autoridades responsáveis pelo bem estar da criança, mas também vizinhos que eram testemunhas das agressões, tivessem se movimentado, toamdo providências para conter a tragédia que já se delineava. As informações, conseguidas pela repórter Priscilla Sales, deste Comércio, divulgadas ontem pelo Portal GCN e jornalísticos da Rádio Difusora, causaram ainda mais revolta e indignação ao revelarem que, além da mãe, Jane Aparecida Jardim, também o padrasto Tiago Rodrigues submetia o menino a maus tratos físicos, dos quais vizinhos da família, na Fazenda São José, em Cristais Paulista, tinham conhecimento. Eles sabiam, mas nunca denunciaram.
Os momentos de horror vividos por Adriano (e também pelo irmão C.) até a sua morte, por causa de um espancamento brutal perpetrado pela própria mãe, poderiam ter sido evitados. Primeiro, pela própria Justiça, que tirou os garotos da guarda do pai, seis meses atrás, permitindo que os dois passassem por momentos de tortura, castigos e agressões brutais. Depois, pelos membros do Conselho Tutelar, que fizeram visitas protocolares, sem ouvir os dois meninos (não na presença da mãe e do padrasto já então suspeitos) e outras pessoas que conviviam com a família. Finalmente, pelos próprios vizinhos, que tinham conhecimento das barbáries que eram cometidas contra os dois irmãos e nada fizeram. A tragédia serve de alerta para que todos, Justiça, conselheiros tutelares e vizinhos se tornem mais vigilantes quando se trata do bem-estar de uma criança.
Deve-se exigir que, além da mãe, que está presa, que também o padrasto seja indiciado, processado e julgado, pois a violência cometida contra os dois garotos, além de revoltante, merece receber uma sentença exemplar, ainda que se saiba que o Código Penal permite que qualquer condenado saia da cadeia após cumprir um terço da pena; ou que não passe mais de 30 anos preso. O crime cometido contra Adriano e C. tem que ser considerado hediondo, pois a entrevista mostra que os dois garotos eram submetidos a castigos desumanos, como comer fezes e um vidro de pimenta ou então ser amarrado de cabeça para baixo em uma árvore.
São atos bárbaros que não podem passar impunes. São fatos como este que exigem uma completa reformulação de nosso Código Penal, pois não podem ser considerados seres humanos os que agem como Jane e Tiago. São acima de tudo bárbaros que não podem desfrutar do convívio com a sociedade.
Como desfecho desta tragédia, além de perder o irmão em circunstâncias tão desumanas, C. ainda terá que conviver com a memória do que sofreu nas mãos da mãe e do padrasto, que deveriam cuidar de sua segurança mas transformaram o lar em que ele vivia numa sucursal do inferno. Infelizmente, fatos deste tipo continuarão acontecendo e muitos deles permanecerão restritos ao interior das casas, em razão das falhas envolvendo instrumentos de proteção à infância. Caso Adriano não tivesse morrido, dificilmente ele conseguiria se libertar do jugo de tutores violentos e a situação perduraria por um longo período, circunscrita ao ambiente familiar. Porque ficou claro que, ao lado do mal em seu potencial mais bruto, a omissão contribuiria para que a integridade de uma criança não fosse respeitada.
email opiniao@comerciodafranca.com.br
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.