Desde as primeiras horas dessa sexta-feira, o delegado Djalma Donizete Batista, responsável pelas investigações sobre a morte do menino Adriano Henrique Jardim Ramos, corria contra o tempo para encerrar o inquérito a respeito da morte do menino, ocorrida na última sexta-feira.
Com a divulgação dos relatos feitos ao Comércio da Franca, o delegado passou toda a sexta-feira reunindo novas provas contra Thiago Rodrigues, o padrasto acusado pelo irmão de Adriano de também agredi-los.
A repercussão do depoimento dado pelo garoto de 11 anos também comoveu testemunhas que decidiram se apresentar à polícia e revelar novos detalhes sobre o dia em que Adriano foi morto (leia mais em texto nesta página). Outras foram reconvocadas a depor e, desta vez, narram as agressões que viram Thiago praticar contra os meninos.
Dois depoentes confirmaram que o padrasto, de fato, também agredia os meninos, inclusive, o menor de 2 anos. “Eles ainda disseram ter conhecimento sobre os episódios em que o menino Adriano foi obrigado a comer as próprias fezes e um vidro de pimenta.”
As testemunhas confirmaram também que o garoto de 11 anos era obrigado a trabalhar por horas, pegando troncos ou sacos pesados.
No final da tarde de ontem, o delegado encerrou o inquérito. Denunciou Jane Aparecida Jardim por tortura (desde o dia em que os meninos chegaram a Cristais Paulista até o dia dos fatos) e por homicídio triplamente qualificado. “Ela impossibilitou a defesa da vítima, o agrediu por um motivo torpe e usou meio cruel”, afirmou Djalma Batista.
Já Thiago foi denunciado por tortura e maus-tratos contra Adriano e seu irmão de 11 anos. O delegado também pediu a prisão temporária do acusado. “Mas, infelizmente, o pedido foi indeferido. O juiz de plantão entendeu que não havia argumentos que justificassem a prisão. Eu lamento”, disse Djalma.
Sem a decretação da prisão, o padrasto - que passou o dia na delegacia - acabou liberado. Seu filho de 2 anos, que havia sido entregue ao Conselho Tutelar de Cristais Paulista pela tarde, até o fechamento desta edição estava na casa de familiares de Thiago.
Ao sair da delegacia, o padrasto não quis dar entrevista. Disse apenas que não pretendia buscar o filho menor.
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