Duas (sérias) reflexões


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1 Ouvi relato sobre considerações de um idoso sobre o fim do mundo prenunciado para o ano 2000 e que pensamos, falhou. Segundo ele, não falhou. “Aconteceu!’. Sábia constatação. Diga-me: você se lembra-se de algo relevante entre humanos que tenha feito diferença, para melhor, nos últimos quinze anos? Quanto ao que deu errado não é preciso se esforçar muito. Na última década e meia, a ética e a vergonha na cara, a decência e o respeito humano foram embora. Hoje, ninguém mais se preocupa com nada. A leis permitem. A impunidade garante. Alguns exemplos do que hoje somos:
 
Mãe(?) — Jane Jardim — matou filho seu, de cinco anos, a pancadas. Ontem, assombroso complemento à monstruosidade perpetrada por ela: o padrasto do menino também cobria de porradas tanto ele quanto um irmão de 11 anos. Esse, de 11, chegou a ser pendurado por ele, cabeça para baixo, em uma árvore. 
 
Há alguns meses, marido e mulher caseiros de rancho foram surpreendidos em casa por três bandidos. Dois saíram para resolver transporte que lhes daria fuga. O que ficou ‘montando guarda’ amarrou o marido a cadeira, e a mulher sobre a cama. A desnudou e estuprou várias vezes sob o olhar desesperado do marido. Depois, tomou a arma e fez ‘roleta russa’ contra os dois. O revolver disparou na cabeça da mulher. Os comparsas chegaram, viram a merda do comparsa e bateram até quase matar... no marido.
 
Cinco sujeitos armaram roubo a empresário em São José da Bela Vista. Um ‘deu a fita’, outro vigiou na esquina. O terceiro correu para dentro da garagem do comerciante enquanto ele manobrava. Baleou-o. Tirou-lhe a vida como se pisasse em barata. 
 
Tem mais? Tem. Senhoras de muita idade têm sido espancadas e estupradas dentro de suas próprias casas depois de abrirem a porta ‘a quem tem sede’.  
 
A lista de desgraças que o século XXI produz prospera perto de qualquer um de nós. Para saber e não ignorar, basta estar atento. O problema é que — um consultor me disse — 70% da população brasileira não interpreta com eficiência o que ouve ou o que lê. 
 
Explica a incapacidade da maioria em guerrear por leis melhores e mais justas, em posicionar-se contra o mal que toma conta de tudo. Enquanto a maioria se cala, o bicho que vive no interior de cada um de nós se libera em bestialidade inconcebível. O senhor idoso do começo do texto tem razão. O mundo acabou mesmo.
 
 
2 Nota publicada no fim da semana passada não gerou preocupação, mas deveria, à luz da história recente do Brasil. O Clube Militar, que congrega oficiais das Forças Armadas Brasileiras e andava calado desde a redemocratização, reagiu a fala do ex-presidente Lula durante ato em favor da Petrobrás, no Rio. Vale pensar.
 
‘No Rio, assistimos o despreparo de petistas com as lides democráticas. Reagiram inconformados como se só a eles coubesse o ‘direito’ da crítica a atos de governo. Doeu aos militantes, e os levou à reação física, ouvir brados de ‘Fora Dilma’. 
 
O pior estava por vir! Ao discursar para suas hostes o ex-presidente Lula (...) bradou irresponsáveis ameaças: ‘...também sabemos brigar. Sobretudo quando Stédile colocar o exército dele nas ruas’. Esta postura incitadora de discórdia não pode ser de quem se considera estadista, mas sim de um agitador de rua qualquer. É inadmissível um ex-presidente da República pregar, abertamente, a cizânia na Nação. (...) O que há mais por trás disso? Atitude prévia e defensiva de quem teme as investigações sobre corrupção em curso? Algum recado?
 
O Clube Militar repudia, veementemente, a infeliz colocação desse senhor, pois neste País sempre houve e sempre haverá somente um exército, o Exército Brasileiro, o Exército de Caxias, que sempre nos defendeu em todas as situações de perigo, externas ou internas.’
 
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br
 
 

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