A foto é da década de vinte, século passado. Nove mulheres, nove histórias, nove epopéias. Minha avó materna está sentada à direita, com o segundo filho no colo e minha mãe, a menina Clara, à frente. Vovó contava que a foto foi tirada por fotógrafo profissional, em visita a Uberabinha. Lembrava-se que ele pôs a cabeça dentro da câmara escura por alguns instantes e em seguida disparou o botão na ponta de comprido fio ligado à máquina. Ele também compôs a foto – a mais alta, Alfonsina, no meio. Zefinha e Hortência à direita, tia Vanica e Luziinha, à esquerda. Tia Fia é a mais gorda, sentada por causa de defeito congênito no pé. No centro, tia Ismênia, a mais rica de todas. À exceção de Luziinha, todas foram casadas, todas completaram Bodas de Ouro. Somando os filhos que tiveram, afora tia Fia que nunca os teve, chega-se a quase cinqüenta criaturas! Não comemoravam o Dia da Mulher, isso não existia, mas o parentesco, a proximidade, o companheirismo, a alegria do encontro e o prazer de perpetuar o momento de alegria.
(Lúcia H. M. Brigagão)
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