Ensino médico


| Tempo de leitura: 2 min
Recentemente, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) aplicou a prova de avaliação dos novos médicos formados nas faculdades paulistas e constatou que dos 2.891 que se submeteram, 55% não foram aprovados, revelando a deficiência do ensino médico. ‘Surpresa desagradável, os alunos saem da faculdade sem saber coisas básicas’, avaliou o Cremesp. Anteriormente, o diretor da escola de medicina da USP já havia dito que o médico, quando sai da faculdade, não está preparado. Se no mais importante Estado do país, lugar de conceituadas escolas é assim, imagine-se no restante do Brasil. O exame, ainda que obrigatório, não impede o exercício da profissão mesmo que o avaliado seja reprovado.
 
Considero importante essa avaliação profissional, a exemplo do que faz a OAB, testando antes de liberar ao mercado. Se é importante para o advogado muito mais para o profissional que vai cuidar de vidas e, não raro é a esperança de quem por ela luta. Sem dúvida, como analisou o Cremesp, o resultado é surpresa desagradável, embora mais desagradável do que surpresa.
 
Provavelmente, a causa vem do tempo do Inamps, cuja tabela de remuneração desvalorizava o clínico geral priorizando as especializações, onerando o próprio serviço de atendimento à saúde pública. Com o desestímulo à função de clínico geral o estudante, já no início do curso, visa especialização e perde a visão do ensino médico como um todo. Hoje existe incontestável carência de clínicos. 
 
Clínico geral bem formado resolve mais da metade dos casos e só encaminha a especialista casos específicos. O custo da medicina encareceu muito por esse motivo e pelo excesso de exames complementares solicitado pelo médico antes de examinar o paciente. O corpo não é máquina, há o lado humano, psicológico, emocional. Portanto, está na hora de se pensar em uma reformulação geral da formação do médico.
 
Luiz Carlos Borges da Silveira
Empresário, médico e professor. Foi Ministro da Saúde e deputado federal

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários