Que a Justiça faça a sua parte


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Não começou bem a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) aberta na Câmara dos Deputados para investigar o esquema de fraudes que funcionava na estatal e serviu para financiar partidos e políticos. As conclusões da investigação da Operação Lava Jato apontam para um desvio de bilhões de reais que abasteceram campanhas políticas e a conta de alguns diretores e ‘operadores’ ligados ao “clube de empreiteiras” que funcionava na estatal. Porém, as primeiras convocações preservam as empresas e focam nos diretores da estatal.
 
A primeira sessão deliberativa da CPI, realizada anteontem, teve tumulto e bate-boca, aprovando a convocação do ex-gerente da estatal Pedro Barusco como o primeiro depoimento a ser tomado e poupou os empreiteiros acusados de envolvimento no esquema de desvio de recursos da estatal. Além disso, não foi votado qualquer requerimento pedindo a quebra de sigilo dessas empresas, apontadas pelo Ministério Público Federal como integrantes de um cartel que pagava propina a agentes públicos para dividir entre si as obras da Petrobras.
 
Um levantamento realizado pelo jornal Folha de S. Paulo mostrou que ao menos 12 dos 27 integrantes da comissão, incluindo o presidente Hugo Motta (PMDB-PB) e o relator Luiz Sérgio (PT-RJ), receberam doações, nas eleições passadas, de ao menos R$ 3 milhões de Braskem, Engevix, Queiroz Galvão, Odebrecht, UTC, OAS, Andrade Gutierrez, Carioca Engenharia e Toyo Setal, todas envolvidas no esquema. Por isso, quem acompanha o desenrolar dos fatos não acredita que a CPI terá isenção suficiente para levar a cabo o seu trabalho, apurando de forma irrefutável a participação de parlamentares na fraude que corroeu o caixa da petrolífera.
 
Desde agora a torcida é para que a Justiça faça a sua parte e não deixe esta verdadeira rapinagem sem condenação. A PGR (procuradoria-geral da República) pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) a abertura de inquérito contra parlamentares com mandato. Na lista estão o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), os senadores Lindbergh Farias (PT-RJ), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Romero Jucá (PMDB-RR), Edison Lobão (PMDB-MA) e Fernando Collor (PTB-AL). Conforme pessoas envolvidas nas investigações, a lista de mais de 40 parlamentares pode crescer com o avanço das investigações e de novas delações que estão sendo colhidas no âmbito da Lava Jato.
 
Assim como no caso do Mensalão, quando se tentou de tudo para evitar que o caso fosse à frente, inclusive uma CPI inócua, com a possível divulgação dos nomes de políticos envolvidos e a comprovação de que foram beneficiados pelo esquema, espera-se que a Justiça faça a sua parte, fazendo eco às esperanças dos brasileiros. Como disse a presidente Dilma Rousseff (PT), a punição tem que vir, ‘doa a quem doer’. O Brasil não suporta mais ver suas instituições serem alvo de assaltos enquanto o povo sofre com serviços públicos de péssima qualidade.
 
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