Dentro da minha convicção religiosa, maneira de ver a vida e dimensão que tenho do Criador, concluo que o nosso planeta está em constante evolução, seja no plano científico, assim como no aspecto moral.
Vai distante o período da barbárie, da vingança desmedida que era prestigiada pela Lei de Talião, uma regra revanchista que preconizava ‘olho por olho, dente por dente’.
Toda a doutrina cristã, em minha opinião, resume-se, basicamente, em não fazermos aos outros nada que não gostaríamos que fizessem a nós; e, ensinamento incontestável, praticar caridade desinteressada.
Porém, em recentes episódios, confesso que sou tentado à dúvida quanto a essa evolução moral do ser humano, muito embora tenhamos que reconhecê-la no plano científico.
Comungo do pensamento do jornalista Corrêa Neves Júnior que, na edição deste Comércio do último domingo, em sua prestigiada Gazetilha, e em tom de desabafo, elencou fatos bárbaros que povoaram recentemente o nosso quotidiano, qualificando-os de ‘incompreensíveis, intoleráveis e abjetos’.
O surpreendente é que muitos desses episódicos foram praticados contra menores indefesos, dentro do lar e por pessoas que, em tese, deveriam ter o dever legal e moral de protegê-los e deles cuidarem.
Outros, praticados por grupos extremistas, pretensamente em nome de Deus, como se esses grupos detivessem a verdade absoluta de mistérios que, de longa data, ultrapassam a nossa capacidade de entendê-los e, principalmente, de desvendá-los.
Há algum tempo, uma cadelinha de meu convívio pariu. Foram cinco os seus ‘rebentos’. Emocionava a todos que com ela tinham contato, a maneira como deles cuidava.
Óbvio que o ser humano é e continua sendo a coroa da criação de Deus, e está sim, em constante evolução, não obstante a ocorrência desses abomináveis fatos.
Sem dúvida, não podemos tomar a exceção como regra.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial, professor da Faculdade de Direito de Franca
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