Futuro bem tortuoso


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Governo Federal pula miudinho para conseguir convencer aliados a aprovarem o ajuste fiscal
Ainda no começo do ano, analistas políticos já apontavam a dificuldade que Dilma Rousseff (PT) teria para aprovar no Congresso Nacional não apenas o ajuste fiscal anunciado pela equipe do ministro Joaquim Levy (Fazenda) logo nos primeiros dias do segundo mandato da presidente, mas também uma série de outras Medidas Provisórias que já estão em estudo. A renovação de pelo menos 1/3 das cadeiras do parlamento brasileiro, e a insatisfação que atinge a ampla base aliada que sustenta o governo atual, surgida logo após o anúncio do novo ministério de Dilma, devem ser colocadas na balança. Esta insatisfação parte inclusive do próprio Partido dos Trabalhadores, que não viu com bons olhos a distribuição de pastas que eram consideradas ‘cotas’ da legenda e acabaram nas mãos de outros partidos.
 
Desta forma, o Planalto já vem enfrentando grandes dificuldades. Inclusive anteontem o presidente do Senado, Renan Calheiros (do aliado PMDB), devolveu ao Executivo a MP das Desonerações, alegando inconstitucionalidade da matéria. Menos de duas horas após o anúncio de Calheiros, Dilma reagiu e assinou um projeto de lei com urgência constitucional, com os mesmos termos da MP. Antes,Renan havia deixado de comparecer a um jantar com a presidente e líderes do seu partido. Já na Câmara dos Deputados, o seu presidente, Eduardo Cunha (também do PMDB, que já comandou rebeliões contra o governo quando líder do partido na Casa), deixa claro que o governo não terá vida fácil, ainda mais que na Casa as dissensões estão bastante evidentes. 
 
Na tentativa de diminuir os conflitos com o PMDB, a presidente Dilma Rousseff se comprometeu com o vice-presidente Michel Temer e com a cúpula peemedebista a ouvir o partido “sempre que possível” antes de encaminhar projetos ao Congresso e, assim, ampliar a participação deles nas decisões de governo. Mas ressalvou que há propostas que não são possíveis de serem adiantadas aos parlamentares, como as que têm relação com o mercado. 
 
Este foi o primeiro passo da chefe da Nação no sentido de reduzir os atritos com o principal partido de sua base aliada, mas não há qualquer garantia de que ela terá o apoio irrestrito que recebeu no início do seu primeiro mandato. E não pode contar que a manifestação reverta as dificuldades, ainda mais que outros aliados podem se melindrar com o afago presidencial ao PMDB.
 
Precisando de apoio para aprovar e ver implantado um ajuste que considera imprescindível para reverter o descontrole fiscal dos últimos dois anos, que causou um rombo nas contas públicas, o Planalto busca estreitar as relações com os parlamentares. O Congresso já sinalizou que alguns pontos não serão aceitos, como as mudanças em benefícios trabalhistas e a redução das desonerações da folha para mais de 30 setores. Então, vê-se que Dilma Rousseff e seus auxiliares na articulação política, como os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Pepe Vargas (das Relações Institucionais), terão muito trabalho para conseguir levar avante seus planos. Para eles, o futuro será tortuoso.
 
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