A acelerada alta dos preços e a deterioração do mercado de trabalho com a iminência de demissões são os dois tormentos dos dias atuais para os brasileiros. Se já não bastassem os sustos que tomamos todos os dias ao ir às compras nos supermercados/lojas, na semana passada o noticiário econômico foi inundado com informações pouco animadoras sobre o emprego.
De acordo com o IBGE, a taxa de desemprego passou de 4,3% em dezembro para 5,3% em janeiro. Por sua vez, o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) revelou que no mês de janeiro houve redução de 81,8 mil postos de trabalho, o pior resultado desde 2009.
As demissões foram maiores no comércio, onde se eliminaram 97,8 mil vagas. Surpreendentemente, a indústria de transformação mostrou seu lado positivo criando 27,4 mil postos de trabalho, feito que pode ser considerado extraordinário. Há quase um ano o setor vinha demitindo de maneira sistemática. Enquanto isso, a inflação segue trilha ascendente, na qual é ‘apoiada’ até pelos caminhoneiros que bloqueiam estradas, impedindo que produtos básicos cheguem aos centros de distribuição. Conjugada com a suspensão temporária do contrato de trabalho, o conhecido lay off, PDVs, demissões, frutos exemplares de uma economia estagnada, a aceleração da alta dos preços torna a sobrevivência do trabalhador difícil e incerta. A isso se soma a necessidade do (re)ajuste das contas públicas, objetivo principal da nova equipe econômica cuja última medida foi a eliminação da desoneração da folha de pagamento de alguns setores.
Baixo ou nenhum crescimento, tributação elevada, preços em ascensão, crédito concedido com mais rigor e juros altos, tudo inibe a atividade econômica e a consequente criação de postos de trabalho. Nesse clima, empresários e consumidores revelam falta de confiança, tanto para investir como para consumir. O futuro é, realmente, incerto.
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA/USP
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