‘Quem não sabe brincar, não desce para o play’: esta frase, que foi disseminada há cerca de uma década e transformou-se até em bordão humorístico, retrata bem a situação ocorrida ontem dentro do plenário da Câmara Municipal de Franca, onde o vereador Luiz Vergara (PSB) aplicou um sonoro tapa na cara de um cidadão francano que lhe cobrava explicações. A ação, que suscitou uma série de críticas de francanos indignados com a atitude do vereador, não mereceu, ontem, qualquer manifestação dos demais vereadores que presenciaram a agressão, à exceção da vereadora Valéria Marson que se criticou na mesma sessão a atitude do colega. Aconteceu coisa igual no ano passado, quando a comissão de ética do Legislativo não viu quebra de decoro do vereador Laércio Matias, o Laercinho (PP), que ofereceu serviços da Prefeitura e dinheiro para que um sitiante do Paiolzinho aceitasse ter suas terras invadidas por uma estrada.
Não fosse a presença do fotógrafo Dirceu Garcia, do GCN, que teve tino e rapidez para gravar a cena, dificilmente a cidade tomaria conhecimento do fato como ele realmente aconteceu, já que os demais vereadores francanos ainda ontem tentavam minimizar o grave episódio. Em entrevista ao programa A Hora da Verdade, da Difusora, ontem, o presidente do Legislativo, Marco Garcia (PPS) ainda tentou transformar o vereador em vítima, como se o vídeo não fosse claro: Vergara agrediu o marceneiro Hélio Pinheiro Vissoto com um tapa na cara que atirou seus óculos longe. Vissoto cobrava do vereador ter votado contra um projeto.
Não há qualquer justificativa para a agressão. O vereador faltou com o decoro e, o que é pior, mostrou a sua verdadeira personalidade e a forma como reage a críticas. Neste caso, há apenas duas saídas: ou Luiz Vergara renuncia, pedindo desculpas aos seus eleitores em geral e ao agredido em particular, ou a Câmara abre um processo de quebra de decoro e cassa seu mandato. Não há outra alternativa, sob o ponto de vista da ética. A repercussão do caso ontem na Internet e em diversos canais de televisão esclarece bem a gravidade do ato, uma verdadeira prova do despreparo do vereador para exercer suas funções.
A falta de reação dos vereadores pode ser anúncio de uma blindagem ao agressor, não sendo de se admirar se restringirem o acesso de cidadãos à casa de leis, também conhecida como casa do povo. O agredido Hélio Vissoto exercitava na manhã de ontem o papel de cidadão que tem interesse pela comunidade e consciência de seus direitos: cobrava do representante eleito posição coerente com o que havia feito e dito em passado recente. O vereador Vergara foi hostil e violento, agrediu fisicamente em lugar de dialogar, o que é do princípio democrático. Deve pagar por isso, com a perda de mandato. Uma punição exemplar afastaria todas as suspeitas dos eleitores de que o Legislativo francano se move pelo corporativismo e pelos interesses pessoais. Caso contrário, perderá totalmente a (pouca) credibilidade que ainda ostenta e faz a população repetir quase em coro, nos comentários que chegam a este jornal: “É o pior legislativo dos últimos tempos”.
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