Líder do prefeito, Luiz Vergara bate em eleitor na Câmara Municipal


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Vereador não gostou de ser questionado porque deixou a oposição  para ser defensor do prefeito Alexandre Ferreira e agrediu marceneiro durante a sessão
Vereador não gostou de ser questionado porque deixou a oposição para ser defensor do prefeito Alexandre Ferreira e agrediu marceneiro durante a sessão
O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) encaminhou ofício ontem ao presidente da Câmara, Marco Garcia (PPS), solicitando a “gentileza de informar seus nobres pares” que o seu líder no Legislativo é o vereador Luiz Carlos Vergara Pereira (PSB). Minutos após assumir a função oficialmente, Vergara, com a sessão em andamento, deu um tapa na cara do marceneiro Hélio Pinheiro Vissotto. A agressão foi tão forte que os óculos da vítima voaram a metros de distância. O eleitor reclamava, justamente, da postura incoerente do vereador. Vergara iniciou o mandato na oposição. Hoje, é responsável por defender as ideias de Alexandre.

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Em 2013, o vereador propôs e foi o presidente da CEI (Comissão Especial de Inquérito) instalada para investigar os contratos assinados entre a Prefeitura e a São José. Vergara acusou Alexandre Ferreira de ter aberto mão da cobrança de multas impostas à empresa por descumprimento do contrato. Ele foi um dos três vereadores que votaram pela criação de uma CP (Comissão Processante), que poderia resultar na cassação do prefeito. No ano passado, votou pela abertura de outra CEI contra o governo que agora defende, desta vez, para apurar as mortes e a situação precária da Saúde em Franca. 
 
De uma hora para outra, calaram-se as críticas. A postura combativa foi deixada de lado e Vergara se transformou no porta-voz de Alexandre Ferreira na Câmara. A notícia de que ele assumiria a liderança do governo, antecipada pelo Comércio na semana passada, provocou um tsunami de críticas ao vereador vindas de todos os setores da sociedade, inclusive, do ex-deputado federal Marco Aurélio Ubiali, “dono” do PSB em Franca.
 
Hélio Vissotto foi um dos que criticaram nas redes sociais a repentina mudança de posição de Vergara. Ambos discutiram pela internet ao longo da semana. Na manhã de ontem, após ser oficializado na função, o vereador foi à tribuna, defendeu o prefeito e atacou os críticos. Ao terminar o pronunciamento, subiu as escadas e foi até a divisória de vidro que separa o plenário, onde ficam os vereadores, do espaço reservado ao público.
 
O vereador e o marceneiro tiveram uma discussão rápida. Antes de agredir, Vergara ameaçou: “Vou dar um tapa na sua cara, você vai ver”. Em seguida, cumpriu a ameaça. O tapa com as costas da mão foi flagrado e gravado pelo fotógrafo Dirceu Garcia, do Comércio da Franca.
 
Hélio ficou com as marcas da agressão no rosto. Ele não quis gravar entrevista e disse que apenas questionava o fato de o vereador ter votado a favor de um veto do prefeito a projeto que pretendia facilitar o acesso às informações da Prefeitura. Vergara apresentou versão diferente. “A agressão vem por parte dele há mais de uma semana. Ele foi até o vidro (da divisória) e perguntou quanto recebi para ser líder do prefeito. Não sou ladrão, nem corrupto.”
 
A sessão ficou suspensa por cinco minutos por causa da agressão. Na volta, alguns vereadores se manifestaram e repudiaram a atitude de Vergara. “Foi uma vergonha, uma coisa inadmissível. Nós, vereadores, temos que respeitar a população que nos elegeu”, disse Valéria Marson (PSDB). “Temos que pedir desculpas à população. Não vou entrar nos méritos, mas quem se sente ofendido tem que buscar os meios legais para a reparação de eventual dano moral e não sair batendo”, disse Daniel Radaeli (PMDB). “Eu repudio toda forma de agressão física. Por mais que o vereador tenha sido provocado, a atitude do Vergara nunca poderia ter sido esta”, completou o presidente Marco Garcia.
 
A comissão de Ética da Câmara abrirá um processo administrativo para apurar a conduta do vereador. O diretor municipal do PSB vai se reunir, sexta-feira, para decidir as providências a serem tomadas. O Comércio questionou a assessoria de comunicação do prefeito se ele concordava com as agressões cometidas por Luiz Vergara e se vai mantê-lo na função de líder do governo na Câmara. Alexandre Ferreira não respondeu.
 

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