Pelo menos seis linhas de ônibus da empresa São José estão sem cobradores. Seminário/Rodoviária, Santa Luzia/Parque dos Pinhais, Francano/Consolação, Samel Park e Imperador J08 e J09 estão nessa situação. Quem precisa utilizá-las, reclama dos atrasos gerados pela falta deste funcionário. “Sobra para o motorista fazer tudo, isso atrasa muito. Esses dias perdi uma consulta no médico porque cheguei depois do horário”, disse a dona de casa Nilva Garcia, 50.
A reportagem do Comércio esteve no Terminal “Ayrton Senna” onde constatou a situação nas seis linhas mencionadas. A retirada dos cobradores começou o ano passado. “Já demorei 40 minutos a mais para chegar no serviço. Fica complicado para ir trabalhar”, disse a atendente Marcela Aparecida Rodrigues, 21.
O motorista tem que conciliar a direção do ônibus com ações como liberar a catraca, receber dinheiro das passagens e controlar abertura de portas. “A empresa quer fazer economia e prejudica a população. A falta de uma pessoa para cobrar os passageiros atrapalha muito”, reclamou o aposentado Wilson Moraes, 68.
Os usuários também se queixam das condições dos veículos .“Fui para o Luiza II em um ônibus com problema de freio. Muitos veículos estão velhos também”, reclamou o vigilante Daniel Rodrigo Freiria.
Respostas
A Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca) é responsável por fiscalizar o transporte coletivo em Franca. De acordo com o advogado da Emdef, Anselmo Corsi Diniz, o órgão fez um estudo técnico que identificou que as linhas tinham uma baixa demanda de passageiros, então não havia a necessidade de cobrador.
“No acordo com a empresa, há essa possibilidade. Esse estudo foi concluído no final de 2014 e foi expedida uma ordem de serviço para a São José, em janeiro agora”, afirmou o advogado Anselmo Corsi Diniz.
A brecha está prevista no acordo de 2013, assinado na surdina, entre o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) e a empresa São José.
O documento isentou a empresa de punições por desrespeitar regras do edital de licitação de transporte público e causou grande polêmica e críticas.
Houve a revisão de aspectos como a frota mínima de veículos estipulada, a aquisição de novos ônibus e também a exigência de cobradores. Mas o acordo prevê que a Prefeitura pode avaliar “a conveniência de preservar o posto de cobrador nos veículos”.
Sobre as condições dos ônibus, a Emdef negou que os veículos estejam em situação precária “Não tem nenhum ônibus sucateado e estão todos limpos”, disse o presidente da Emdef, Sílvio de Oliveira.
O órgão tentou minimizar o descontentamento dos usuários argumentando que se tratava de um período de adaptação e que as reclamações eram pontuais. Disse que outras linhas, por enquanto, não terão os cobradores retirados.
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