Moradores de pequenas cidades da região de Franca têm reclamado do tipo de patrulhamento feito pelos Policiais Militares em suas cidades. Eles dizem que os PMs se dedicam a vigiar os bancos enquanto outros locais da cidade ficam desassistidos e à mercê da violência. O secretário estadual de Segurança Pública, Alexandre de Morais, admite que existe determinação para as rondas policiais intensificarem o patrulhamento nas portas das agências bancárias, mas nega a existência da ordem específica de ficar em frente aos bancos.
A reportagem do Comércio da Franca esteve em várias cidades da região, como Cristais Paulista, Patrocínio Paulista e Restinga, durante a madrugada, em fevereiro, e flagrou policiais militares estacionados nas proximidades dos bancos ou rondando os arredores das instituições. Os próprios policiais afirmam terem recebido ordens superiores para permanecerem na porta das agências durante a madrugada. Com medo de represálias, os PMs pedem para não ter suas identidades reveladas, mas afirmam que a ordem é para que permaneçam nas proximidades dos bancos entre a meia-noite e 5 horas da manhã. A ordem não seria voltada apenas ao 15º Batalhão de Polícia Militar do Interior, que responde por Franca e mais de 20 cidades da região - como Batatais, Restinga, Patrocínio Paulista, São José da Bela Vista, Ribeirão Corrente, São Joaquim da Barra, Cristais Paulista, Pedregulho e Rifaina -, mas para todo o estado. “A ordem é patrulhar o quadrilátero central”, disse um policial.
Os policiais alegam não terem armamento e contingente suficientes para enfrentar as quadrilhas que executam esse tipo de crime. “Um dos últimos casos foi em Orlândia. Eram dois policiais armados de pistola ponto 40 para enfrentar uma quadrilha armada com fuzil. Desse jeito, se vierem assaltar o banco aqui, eu vou é me esconder”, disse outro PM.
Um morador de Patrocínio Paulista, que reside nas proximidades da Praça Central da cidade, e pediu para não ter o nome divulgado, afirma ver com frequência a viatura parada ou rondando a região onde se concentram os bancos da cidade. “Comecei a ver o carro por aqui nas madrugadas no fim do ano passado. Eles ficam dando voltas ou estacionam no calçadão em frente à igreja. Já conversei com eles e me contaram que isso tinha sido uma ordem que eles tinham que cumprir”.
Além de reclamarem do risco, o policiais dizem que a medida prejudica a população. “Nas cidades pequenas somos só dois policiais em uma viatura, então a gente acaba deixando de patrulhar o restante da cidade e deixando de atender outras ocorrências, como furtos”, disse um PM.
Uma moradora de Franca, que é esposa de um policial militar, e pediu para manter a identidade em sigilo, se disse revoltada com a prática. “Tem muita ocorrência que deixa de ser atendida porque os policiais têm que ficar na porta do banco. Temos que fazer seguro da casa, porque atualmente não dá para contar com a PM. Quando for viajar, vou pegar minhas coisas e colocar no banco, pois assim terei certeza de que a polícia estará vigiando”.
Outro lado
Em visita a Franca, no fim do mês passado, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o secretário estadual de Segurança Pública, Alexandre de Morais, negaram a existência de uma ordem para os policiais ficarem na porta dos bancos durante a madrugada. “Não há necessidade dos PMs ficarem em frente às agências bancárias. Não há orientação nesse sentido”, afirmou Alckmin. “Não há nenhum privilégio a nenhum banco. Até porque a polícia militar, assim como a polícia civil, é de todos”, completou Morais.
Em contrapartida, o secretário afirmou haver ordem para as rondas policiais aumentarem a frequência com que passam na porta dos bancos. “Os caixas eletrônicos são considerados áreas de risco, então, às rondas policiais foi determinado passarem mais vezes nesses locais. Isso não é para os bancos, é em defesa da sociedade, pois quem corre risco com essa explosão não é o banco, pois o banco tem seguro, o risco é para transeuntes, para clientes”.
A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) admitiu a necessidade dos bancos de serem apoiados pelo poder público para manter a segurança das agências. “Para os bancos, a ação de segurança permitida pela legislação é insuficiente frente à violência empregada. O combate desse tipo de crime exige um conjunto de ações no âmbito da segurança pública.”
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