Atividade estagnada


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Há muito tempo os especialistas vêm alertando para a situação da indústria brasileira, que vem sofrendo com a estagnação de sua produção nos últimos anos. A situação se reflete de forma negativa no mercado de trabalho, que também sofre uma retração recorde, e na balança comercial. Não fosse a chamada conta-petróleo e o agronegócio, a situação ainda ficaria pior: a indústria de transformação está sofrendo sucessivas baixas no volume exportado e nas receitas, em dólar. É uma situação difícil que tende a se agravar nos próximos meses, diante do ajuste fiscal proposto pelo governo, que deverá atingir inapelavelmente o setor produtivo e, em consequência, o emprego.
 
De acordo com dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), a balança comercial brasileira apresentou seu maior déficit em fevereiro desde 1980. No mês, foi exportado pelo Brasil o volume de US$ 12,092 bilhões, enquanto as importações equivalem a US$ 14,934. Dessa forma, o saldo negativo mensal foi de US$ 2,842 bilhões no último mês, que ficou levemente acima do teto das expectativas de mercado, que apontavam para um déficit comercial de US$ 1,500 bilhão a US$ 2,800 bilhões, com mediana negativa de US$ 2,400 bilhões. 
 
No ano, o déficit já está em US$ 6,016 bilhões. As exportações somaram US$ 25,796 bilhões em janeiro e fevereiro; as importações, US$ 31,812 bilhões. Ainda conforme o MDC, os embarques de manufaturados caíram 11,1% em fevereiro, com destaque para polímeros plásticos (-38,8%), motores e geradores (-25,9%), pneumáticos (-25,0%), máquinas para terraplanagem (-23,8%), açúcar refinado (-19,9%), calçados (-15,3%), motores para veículos (-12,8%), veículos de carga (-12,3%), autopeças (-12,2%), e bombas e compressores (-8,8%). Esta situação mostra que a falta de uma política definida para a indústria brasileira vem provocando sucessivas baixas em setores importantes, como a indústria calçadista que já não consegue mais competir em igualdade de condições com mercados fortes como os EUA e Europa.
 
Aqui em Franca, há uma preocupação constante, já que a cidade ainda depende economicamente da fabricação de calçados — o maior setor produtivo do município — e a queda nas exportações prejudica de forma sensível toda a atividade econômica, impactando nas vendas do comércio e na prestação de serviços. No ano passado, o setor registrou números recordes de demissão e nem a valorização do dólar, que ocorre desde o começo do ano, tem sido capaz de reverter as perdas. Muito menos o mercado interno, no qual o Planalto aposta ter sido capaz de absorver o que se produz por aqui. A falta de políticas de incentivo que não se limitem a apenas desonerações de tributos e estímulo ao consumo é sentida, principalmente no sentido de recuperar os mercados hoje refratários ao produto nacional. Do contrário, ficaremos à beira da insolvência que pode atirar toda uma cidade no buraco, sem que qualquer medida tomada então consiga reverter o quadro em curto prazo.
 
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