Em duas visitas, Conselho Tutelar não constatou agressão em crianças


| Tempo de leitura: 2 min
Cinto e vassoura quebrada que teriam sido usados na agressão contra Adriano Henrique
Cinto e vassoura quebrada que teriam sido usados na agressão contra Adriano Henrique
Entre os meses de novembro e dezembro do ano passado, o Conselho Tutelar de Cristais Paulista fez duas visitas a casa em que Adriano Henrique Jardim Ramos, 5, foi espancado e morto pela mãe na última quinta-feira, na Fazenda São José, na comunidade rural conhecida como Borda da Mata.
 
Nas duas ocasiões, a primeira no dia 11 de novembro e a segunda, em 5 de dezembro, os conselheiros não relataram nenhuma ocorrência que pudesse induzir à suspeita de maus-tratos em Adriano e seu irmão de 11 anos, filhos de Jane Aparecida Jardim com seu primeiro marido, e no menino de 2 anos, filho dela com Thiago Rodrigues, com quem morava atualmente.
 
De acordo com o conselheiro Odair Antônio de Souza, a primeira denúncia foi feita de forma anônima, informando que uma criança não parava de chorar na casa que faz parte de uma colônia de moradias na Fazenda São José.
 
Souza afirmou que uma conselheira tutelar esteve no local, mas nada de anormal havia sido verificado. A criança, segundo a conselheira, poderia ter trocado o dia pela noite ou o leite da mãe não era suficiente para alimentá-la.
 
Na segunda vez em que a conselheira foi à fazenda, Adriano apresentava um pequeno hematoma perto do olho esquerdo. Ela informou que, neste caso, o menino disse que estava brincando e caiu.
 
Segundo Odair Souza, em nenhum momento qualquer suspeita foi levantada em relação a Jane. “Para o Conselho ficou claro que era uma questão social. Tanto que o caso passou a ser acompanhado pela assistência social do município”, disse ele.
 
Por meio do Conselho e do centro espírita que Jane começou a frequentar, a família passou a receber doações de alimentos, roupas e até alguns móveis. Era comum a mãe, agora presa na Penitenciária do Tremembé, dizer a algumas pessoas que estava feliz pelo atual momento.
 
No Cemei (Centro Municipal de Educação Infantil) “Aparecida Guilherme Garcia”, onde Adriano estudava, ele era tido como uma criança ativa, inteligente e saudável. Já o meio irmão mais velho estava matriculado na escola “Jarcy Araci de Matos”. Ao pai biológico, conforme afirmou o conselheiro Odair, teria dito que estava muito feliz vivendo com a mãe e o padrasto e que logo ganharia um cavalo de presente.
 
Odair Souza foi uma das três pessoas que chegou com Adriano ainda vivo à Santa Casa de Franca. Ao falar de como viu o menino, repleto de ferimentos, se emocionou e chorou. “Era um menino lindo. Estava com um olho semiaberto, sem reação alguma. Eu passava a mão perto do rosto dele, mas ele não reagia”, disse. “Não tenho dormido de tanto que lembro desse menino... Também sou pai de dois filhos.”

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários