‘Mãe teve efetiva vontade de matar o filho’, afirma delegado Djalma Batista


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Médicos desembarcaram no aeroporto de Franca, domingo, para a captação dos órgãos do menino morto espancado pela mãe
Médicos desembarcaram no aeroporto de Franca, domingo, para a captação dos órgãos do menino morto espancado pela mãe
A Polícia Civil vai concluir em dez dias o inquérito que apura as responsabilidades pelo espancamento de Adriano Henrique Jardim Ramos, 5. A mãe da criança, Jane Aparecida Jardim, 27, havia sido presa em flagrante por tentativa de homicídio qualificado. Com a morte do filho, o indiciamento mudará e ela responderá por homicídio doloso qualificado por motivo fútil. “A nossa convicção é de que a Jane teve efetiva vontade de matar. Ela agiu de forma brutal e violenta. As lesões suportadas pela criança foram muito, muito grandes. Foi uma atrocidade que não tínhamos presenciado em nossa carreira”, afirmou o delegado Djalma Donizete Batista. 
 
O menino foi agredido pela mãe, na manhã de quinta-feira, supostamente, por ter feito cocô na roupa e sujado a cama. Após ser socorrido, encaminhado à Santa Casa de Franca e diagnosticado com traumatismo craniano, Adriano não resistiu e teve sua morte cerebral constatada, segundo a Polícia Civil, na noite de sexta-feira, 27. A Santa Casa só confirmou a informação no domingo.
 
O pai e a avó de Adriano vieram a Franca e autorizaram a doação dos órgãos. Equipes do Incor de São Paulo, Hospital A.C. Camargo e Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto também estiveram na cidade para a captação. O corpo de Adriano foi sepultado no fim da manhã de ontem no Cemitério dos Amarais, em Campinas. Familiares estavam revoltados com as agressões cometidas pela mulher e cobraram justiça. Jane segue presa em Tremembé.
 
‘Convicção’
Responsável pela apuração do caso, o delegado Djalma Batista confirmou, em entrevista à rádio Difusora ontem, não ter dúvidas de que a mãe sabia do risco ao qual estava expondo seu filho. O espancamento de quinta-feira não seria um caso isolado. “O médico legista constatou, no exame preliminar, que o menino tinha marcas de lesões atuais e marcas de lesões passadas. Inclusive, uma lesão por queimadura, temos certeza de que foi feita no passado. Então, temos plena convicção de que esta criança já tinha sido agredida anteriormente”, disse.
 
O Conselho Tutelar de Cristais Paulista, onde moravam a mãe, o atual companheiro dela e as três crianças, já vinha monitorando a família após ter sido acionado para averiguar uma suposta agressão. Durante a avaliação dos conselheiros, nenhuma prova concreta de maus tratos foi descoberta contra o menino e seus irmãos (leia texto nesta página). 
 
Jane disse que estava sozinha em casa com os dois filhos menores, quando se “estressou” ao ver que o menino de cinco anos havia feito cocô na cama e bateu nele com um cinto. Peritos encontraram manchas de sangue nas cabeceiras de duas camas de solteiro no quarto da criança, no chão e na parede, mas não localizaram resquícios de fezes, como alegado pela mãe. “Não sabemos se ela limpou a cama e lavou as roupas ou se está usando a história como subterfúgio para tentar justificar a barbárie que cometeu”, disse o delegado. O cinto e uma vassoura quebrada foram apreendidos.
 
Segundo a versão da mulher, o padrasto de Adriano estava trabalhando na roça quando ela cometeu as agressões. “Ele já foi ouvido para esclarecimentos. Vamos apurar com calma tudo o que aconteceu para que não tenhamos nenhuma dúvida de quem, efetivamente, praticou esta atrocidade contra esta criança. A mãe, sem sombra de dúvida, participou de maneira bem brutal”, concluiu Djalma. 
 
A polícia também apura se a mulher batia nos outros filhos. Os meninos de 5 e 11 anos moravam com o pai em Campinas e voltaram a viver com a mãe em Cristais há cerca de seis meses. O atual companheiro dela é pai apenas do mais novo, de 2 anos.

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