Marketing enganador


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Depois de levar pancada de todos os lados, por causa das medidas anunciadas pela equipe econômica de seu segundo mandato, sepultando tudo o que Guido Mantega fez nos últimos quatro anos e que causou uma perigosa estagnação da nossa economia, a presidente Dilma Rousseff (PT) resolveu assumir a postura de candidata do ano passado e, da mesma forma como fez na campanha eleitoral onde foi reeleita, segue as instruções do marqueteiro João Santana a cada aparição ou pronunciamento público. Assim, não se constrange usar jogos de palavras para tentar negar o que o seu governo vem fazendo desde o final do ano passado.
 
Dias atrás, durante uma entrevista coletiva, Dilma mostrou-se irritada quando um jornalista lhe perguntou a repeito do reajuste no preço dos combustíveis. Para a presidente, não houve aumento de combustíveis e sim apenas uma “recomposição” da Cide (contribuição cobrada sobre o preço da gasolina e do óleo diesel). Alterada, Dilma insistiu na negativa, ignorando os preços finais (o aumento chegou a 10% mas bombas, atingindo inclusive o preço do etanol) cobrados do consumidor. Ela ainda desconversa quando se fala no reajuste nas contas de luz.
 
Dilma acredita que, assim, o brasileiro não perceberá que está sendo pressionado com um aumento de preços que, dos combustíveis, atinge o consumo e os serviços, elevando os índices inflacionários. Outra ação proposta por João Santana é que a presidente intensifique sua participação em eventos, de preferência fechados e com claques favoráveis, para transmitir uma imagem positiva do governo. No primeiro teste, menos de um mês atrás, ela foi vaiada e momentaneamente suspendeu as aparições. Isto poderia até dar certo caso o brasileiro não estivesse sentindo no próprio bolso os reflexos das medidas tomadas pelo governo.
 
Como se não bastassem os aumentos que tornaram ainda mais frágil a economia, prejudicando o setor produtivo e o mercado de trabalho, e as novas regras para a concessão de benefícios trabalhistas, como o seguro desemprego e pensões previdenciárias, na sexta-feira veio outra bomba que poderá prejudicar mais ainda o emprego e a produção: um pacote promovendo o cancelamento de desonerações na folha de vários setores produtivos, que haviam sido concedidas no primeiro mandato de Dilma, e a redução das alíquotas do Reintegra, que devolve tributos para exportadores. 
 
Na campanha eleitoral, Dilma havia garantido que nada seria mexido na economia e acabou tendo que voltar atrás — depois de reeleita — por causa do rombo fiscal deixado por uma política econômica equivocada, que focava no consumo e não se preocupava em recuperar a atividade econômica. Agora ela tenta, com ações de marketing, recuperar a credibilidade pessoal que, certamente, será medida no dia 15 de março, quando manifestações estão sendo programadas nas redes sociais em protesto contra as medidas adotadas. Só assim teremos a verdadeira dimensão do que os brasileiros estão pensando do aperto de cinto que se exige para cobrir o desacerto da área econômica nos últimos anos.
 
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