Violência abjeta


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Numa sociedade onde a violência acaba se banalizando, com a glamurização de bandidos e assassinos, como Suzane Von Richtoffen, que aparece na televisão como se nada tivesse feito, ainda há quem seja capaz de se indignar e se revoltar com fatos como o noticiado na edição de ontem do Comércio. De acordo com a reportagem, uma dona de casa de 27 anos, que mora em um sítio na zona rural de Cristais Paulista, foi presa em flagrante e levada para a cadeia do Jardim Guanabara. Ela espancou o filho de apenas cinco anos de idade só porque ele defecou na cama e se sujou de fezes. A criança sofreu lesões por todo o corpo, principalmente uma forte pancada na cabeça, e está internada em estado grave na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) da Santa Casa. Ainda ontem o garoto corria risco de morte.
 
Neste caso, vê-se que o ser humano ainda não aprendeu a controlar seus instintos mais abjetos, cedendo a uma violência que não é vista nem entre irracionais, que costumam proteger suas crias. O pior é que a situação se repete e muitas vezes fica restrita intramuros, oculta em casas que na verdade não são lares. O que leva uma mãe a agir de forma assim brutal e covarde, atirando toda a sua fúria contra o próprio filho? Os instintos animalescos ainda estão presentes em muitos seres humanos, que atacam, agridem e até matam em nome de uma causa às vezes absurda e incompreensível. A resposta a um fato que seria até banal torna-se superlativa, muitos tons acima do que se espera de quem deveria proteger e prover a educação de uma pequena criança. Mas, como se viu anteontem, isto não acontece.
 
O caso registrado anteontem na zona rural de Cristais Paulista, e que tem causado reação de repúdio em todos os que dele tomam conhecimento, leva a uma reflexão sobre a o caráter ultrapassado e mesmo precário da nossa legislação. O ato de extremada violência desta mãe contra seu filho indefeso deveria ser considerado crime hediondo com uma sentença restritiva de liberdade bastante pesada, já que uma besta humana de seu quilate não pode conviver em sociedade.
 
A mudança em nosso Código Penal é primordial para que uma série de comportamentos, que tornam a violência cada vez mais presente no dia a dia do cidadão brasileiro, seja punida com rigor e iniba a sua repetição. A leniência de nossa legislação é capaz de permitir que uma pessoa como esta mãe, se é que se pode chamá-la assim, seja condenada a poucos anos de prisão e saia da cadeia sem cumprir a totalidade da pena. É uma situação que precisa mudar, já que o brasileiro está cansado de ver marginais perigosos deixando delegacias pela porta da frente, mesmo confessando seus crimes, num verdadeiro escárnio ao cidadão de bem que trabalha, produz, paga seus impostos e mantém a sua vida dentro dos preceitos legais. É preciso mudar e esta ação depende das autoridades que, aparentemente, não estão muito interessadas numa mudança neste sentido.
 
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