A Polícia Civil de Franca prendeu três pessoas, ontem, acusadas de integrarem uma organização criminosa que controlava na cidade o comércio clandestino e distribuição de anabolizantes e medicamentos de uso proibido no país. Entre os presos, está um policial militar lotado no 15º Batalhão. Os outros dois são o dono de uma loja de suplementos e seu funcionário. Eles não tiveram os nomes divulgados pelas autoridades. As prisões preventivas foram decretadas pela 2ª Vara Criminal após representação feita pelo delegado Leopoldo Novais, responsável pelo 3º DP.
No dia 11 de fevereiro, a polícia prendeu o dono de uma academia no Leporace com mais de uma centena de caixas, ampolas e frascos de anabolizantes, além de 940 unidades de medicamento usado para melhorar o desempenho sexual fabricado no Paraguai. As substâncias ilícitas eram vendidas pelo WhatsApp. Os produtos estão avaliados em R$ 100 mil. O delegado Leopoldo afirma que o homem de 29 anos é chefe da quadrilha, que terminou de ser desbarata ontem. “O líder tinha a colaboração para a revenda dos três acusados presos hoje (ontem). Eles formavam uma organização criminosa com caráter empresarial, estruturada e caracterizada pela subdivisão de tarefas, com o exclusivo objetivo de obter vantagem econômica através do tráfico destas substâncias.”
Inicialmente, o chefe buscava no Paraguai os anabolizantes e medicamentos usados para melhorar o desempenho sexual. Por duas vezes, chegou a ser parado pela Polícia Federal. Com a prosperação dos negócios, ele conseguiu dois grandes distribuidores em São Paulo e parou de viajar. “Os fornecedores mandavam uma lista com mais de 40 produtos e ele fazia as compras sem sair de casa. Recebia as encomendas em Franca por Sedex ou pelos ônibus bate-volta”, disse o delegado.
O policial militar, o dono da loja e seu funcionário eram os responsáveis pela revenda e distribuição. Dividiam a mesma máquina de cartão de crédito e repassam o dinheiro para o líder da quadrilha. “Como a origem era ilícita, de natureza criminosa, o dinheiro era depositado em contas bancárias para dissimular sua natureza e se transformar em ativos legais”, contou Leopoldo.
Segundo a investigação, o papel do PM ia além de vender os anabolizantes e “Viagras” do Paraguai. “Ficou evidente que o policial militar da ativa repassava ao líder informações sigilosas que são apenas de consulta e uso das polícias”, afirmou o delegado.
De acordo com a Polícia Civil, dois integrantes da quadrilha, um dos quais o PM, realizaram aplicação de anabolizante errado em um cliente e que insistiram com a prática mesmo após descobrirem a falha. “Eles não avisaram o cliente do risco e continuaram realizando a aplicação. Isso demonstra que eles não tinham nenhum zelo ou cautela pela vida. O objetivo da organização era o lucro e não se preocupavam com a saúde das pessoas. Comprovamos que eles cometiam vários crimes com penas gravíssimas de reclusão superiores a quatro anos”, disse Leopoldo.
Os acusados vão responder por organização criminosa, crime contra saúde pública, lavagem de dinheiro e, no caso do policial, também por violação de sigilo funcional. Todos tiveram as contas bancárias bloqueadas e os sigilos telefônicos quebrados.
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