O chefe à frente da Prefeitura de Restinga mudou sete vezes desde agosto de 2013, quando os eleitos Paulo Pitt (DEM) e Luciene Martins (PRB) foram cassados. Mas, enquanto os políticos da cidade brigam para ver quem assume o cargo mais alto do executivo no município, quem sofre é a população, que reclama da falta de medicamentos, ambulância, lazer e infra-estrutura.
Apesar de hoje, 28, ser um dia de festa na cidade, pelo aniversário de 51 anos de Restinga, os moradores dizem não ter o que comemorar. De fato as celebrações foram suspensas e nenhum evento pela data vai acontecer. A população aproveitou o microfone da rádio Difusora para expressar o sentimento de abandono. Eles relataram as dificuldades durante o programa Hora da Verdade Itinerante. A atração foi apresentado ontem diretamente da Praça Central de Restinga, por Leandro Vaz e comentários do jornalista Corrêa Neves Jr..
“Aqui eles só pensam em política e poder, ninguém pensa na população. Entra prefeito, sai prefeito e nada muda, e quem sofre com a falta de recurso na cidade é a gente. É vereador, prefeito, vice, eles tem é que tomar vergonha na cara e tomar conta da cidade”, disse o motorista aposentado Jesus Batista Franco,52, conhecido na cidade como Zico.
Na última segunda-feira, 23, a novela política de Restinga teve mais um capítulo. Por decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), a vice-prefeita eleita, Luciene Martins, ganhou o direito de retornar ao cargo de prefeita. Ela até ontem aguardava notificação da Justiça para assumir novamente a Prefeitura.
A cabeleireira Talita de Cássia Soares, 30, que mora em Restinga há 10 anos, fez um pedido para a “ex-futura” prefeita. “Estamos cansados de briga. A Luciene tem que deixar a cidade andar. A cidade não era perigosa e começou a se tornar perigosa porque está largada. Queremos que Restinga volte a ser o que era antes”.
Diante de tanto problema, o desejo da empresária Maria da Glória Pereira, 43, é mudar de Restinga, apesar de morar na cidade há mais de 11 anos. “Acontece muita coisa errada aqui e ninguém toma providência. Você vai no posto de saúde e não acha remédio. Quando chama a ambulância, demora a chegar. Para mim a saúde é o principal problema daqui”.
O presidente da Associação de Moradores de Restinga, Norivaldo Rosa da Silva, relata a falta de áreas de lazer na cidade e reclama da dificuldade do órgão, criado há oito meses, em conversar com as autoridades. “A única coisa que tínhamos era o clube público que, por falta de cuidado, foi atacado por vândalos e acabou fechado. Nossa cidade não tem um responsável, então a Associação não consegue chegar até às autoridades para falar nossas reivindicações”.
Para uma moradora do bairro Alto da Boa Vista, que não quis ter o nome divulgado, o maior problema da cidade é a falta de infra-estrutura. “Moro há 13 anos no bairro e até hoje lá não tem asfalto”.
Outro lado
Sobre os problemas na saúde, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Restinga disse apenas que existem “quatro unidades, além de outros quatro veículos à disposição da Saúde para fazer o transporte de pacientes da zona urbana e rural”. A nota não explicou os problemas com a falta de medicamentos. Sobre a infra-estrutura do bairro Alto da Boa Vista, a assessoria informou que está em andamento uma obra de construção de galerias de águas pluviais e que “mais de 70% dos 1.750 metros de tubos de concreto já foram instalados. O departamento responsável esclarece que após chuvas intensas o serviço é suspenso por até 48 horas para garantir a segurança dos trabalhadores”.
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