Apenas um lado tem que pagar?


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O ano de 2015 começou pressionando fortemente quem trabalha e produz em nosso País. Os aumentos que incidiram sobre as tarifas de energia elétrica e combustíveis impactaram negativamente a renda de todos, com aumentos sistemáticos em produtos e serviços, elevando os preços ao consumidor. Ainda está em curso uma tentativa de dificultar a concessão de benefícios, como o pagamento de pensões e do seguro-desemprego. Tudo isso para cobrir o rombo das contas públicas, provocado por um descontrole fiscal e a falta de uma política econômica capaz de alavancar o crescimento sem penalizar o setor produtivo nacional, principalmente o emprego e o consumo.
 
Pede-se o sacrifício dos que produzem mas nada é exigido daqueles que detêm um cargo eletivo e seu grande séquito de assessores. Ontem, saiu outra má notícia para o trabalhador brasileiro: a taxa de desemprego saltou de 4,3% em dezembro para 5,3% em janeiro, o maior resultado desde setembro de 2013, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A Pesquisa Mensal de Emprego mostrou um corte de 220 mil vagas nas seis principais regiões metropolitanas do País, além de um aumento de 22,5% na fila do desemprego. Este número, que contempla apenas as vagas formais — segue a movimentação dos trabalhadores com carteira assinada — e não leva em consideração o mercado informal e o batalhão de brasileiros que não trabalham e não procuram emprego. Desta forma, os números do desemprego devem estar bem acima do divulgado.
 
Especialistas alertam para uma possível deterioração do mercado de trabalho no decorrer dos próprios meses, principalmente por causa das dificuldades da indústria e da queda da atividade na construção civil. Até o setor de comércio — o único que teve saldo positivo entre contratações e demissões no período apontado pelo IBGE — pode sentir o impacto da retração do consumo provocada pelo aumento do desemprego.
 
Porém, antes mesmo desta notícia, os brasileiros ficaram sabendo que a nova Mesa da Câmara dos Deputados aprovou resolução estendendo o benefício das passagens aéreas aos cônjuges de parlamentares. Ou seja, agora estaremos pagando as viagens de esposas — ou maridos — de congressistas. No mesmo dia, foi aprovado um reajuste superior a 20% nas cotas parlamentares que pagam combustíveis, impressos e demais despesas dos deputados. Até o auxílio-moradia foi aumentado. Até agora não apareceu qualquer deputado criticando a medida e abrindo mão dessas benesses que não alcançam o trabalhador. Ao contrário: há ainda quem se disponha a defender a decisão como se fosse a mais natural do mundo. 
 
Quando a população se revolta e toma as ruas, ainda há quem se diz surpreendido. Diante da situação que o Brasil vive atualmente, a classe política deveria buscar apagar a impressão contrária a ela de Norte a Sul do País e dar o exemplo. Ao exigir o sacrifício dos que trabalham, produzem e pagam impostos e o descontrole econômico do governo, os entes públicos deveriam dar o exemplo.
 
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