Chama-se Luíza,
E sua alma é azul.
Essa alma, que a envolve
E a sustenta,
É lago-céu-transparência.
Nela pousada, Luíza é flor.
Lírio desprendido do caule?
Pétala de magnólia?
Rosa inteirinha,
Saída de algum poema,
De algum Motivo, de Cecília?
Quem teria tal ciência?
As raízes mais profundas
De uma árvore-origem?
As células mais recentes
De um DNA luizagênico?
Corpo-flor em líquido blue!
(Bluealmágua!)
Mas não incapaz de vaporizar,
Eterfazer-se
Em metamorfose
De sonho, de poesia...
- Aéreas delicadezas.
Mas Luíza deu-se à artemática
Das formas - retilíneas, curvilíneas... -
Plantadas no chão e subintes ao espaço
(O que também é poesia).
Deu-se à arte arquitetônica:
Construir sonhos concretos,
Artesanar matéria sólida.
E à paisagística:
Modelar espaços livres.
A de iluminar frios recônditos
Não aconteceu por acaso:
Luíza me lembra luz, claridade,
Esclarecência.
E é assim que dociliza, suaviza,
Azula, aclara, doura...
A, tantas vezes, aguda,
Árdua, esconsa, crua
Arquitetura da vida.
Eny Miranda, médica, poeta e cronista
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