Quem chega a Franca e folheia a revista que a Prefeitura Municipal confeccionou e distribuiu pela cidade, enchendo as repartições públicas com exemplares, certamente acreditará que encontrou a cidade dos sonhos. Só que ao contrário de um filme norte-americano que fez relativo sucesso há alguns anos, a peça publicitária é um faz de conta que não acontece. São informações elogiosas a um Executivo muito célebre pela inabilidade administrativa de seu chefe, que nos deixa marcando passo e à beira de um retrocesso. A maioria dos dados usa um truque bastante simples e utilizado à larga por quem não tem nada a mostrar: diz que obras e benefícios estão “viabilizados”, além de creditar como da administração projetos que estão sendo efetivados com verbas federais e estaduais.
Para quem não mora em Franca e não conhece o dia-a-dia da cidade (principalmente nos dois últimos anos), a realidade mostrada na revista apresenta um município onde a administração é de excelência e se transformou em um grande canteiro de obras. Mas se este mesmo cidadão buscar o arquivo de notícias do Comércio e outros órgãos de mídia da cidade, vai perceber que a realidade é bem diferente. A começar pela área de saúde, que ganhou o espaço inicial da publicação da Prefeitura. Ao destacar a construção e reformas de UBS’s (Unidades Básicas de Saúde), UPA’s (Unidades de Pronto Atendimento) e outros estabelecimentos, não esclarece que, mesmo prontas, edificadas com o dinheiro do governo federal, algumas unidades não foram ainda inauguradas por falta de médicos e pessoal especializado para o atendimento.
Aliás, o setor tem sido o maior problema, ao contrário do que afirma a revista: departamentos, como a Casa do Diabético, estão à beira do colapso, sem profissionais capazes de atender um grande número de francanos; pacientes fazem filas para conseguir consultas nas UBS’s e UPA’s, as quais são agendadas para até meses após; as reclamações atingem ainda falta de medicamentos, de funcionários, de médicos. Só quem sofre diariamente em busca de um lenitivo para os problemas de saúde é capaz de avaliar como vem funcionando esta área, tão sensível à maioria da população e que é administrada com pouco caso e negligência por quem nem se preocupa em prestar contas aos familiares de pelo menos oito munícipes que morreram de forma suspeita, envolvendo o atendimento médico ofertado pela Prefeitura.
E a propaganda, que mostra a visão cor de rosa do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) segue contemplando outras áreas do município, listando obras “viabilizadas”, ainda não inauguradas (algumas herança do governo anterior) ou em construção, como as creches que se tornaram alvo de investigação do Ministério Público por causa de irregularidades. Só quem não conhece Franca ou não acompanha os fatos que derrubaram a aprovação da atual administração é que pode acreditar. Os francanos, não. Melhor seria a Prefeitura investir o dinheiro gasto na confecção desta peça de publicidade em setores que necessitam de reforço na verba. Fazer festa com o bolso dos outros é mais fácil, mas com certeza isto não vai passar em branco nas próximas eleições.
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