Ociosidade nas nuvens


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O caso da indústria automobilística é sintomático: vendas em declínio, pátios lotados, desemprego. Outros segmentos do setor de transformação apresentam as mesmas características. A devastação da indústria brasileira é generalizada, o futuro imprevisível. Sistematicamente, perde significância. Para ficarmos apenas no setor da produção de veículos automotores, assinalamos que o prejuízo maior, do ponto de vista social, é no emprego: só no ano passado foram desmobilizados perto de 12 mil postos de trabalho, processo que continua em 2015. A maioria dos fabricantes — as chamadas montadoras —, está com centenas de operários no sistema ‘lay off’, suspensão temporária de contratos de trabalho. 
 
As fábricas instaladas no Brasil têm, segundo estimativas, capacidade para produzir 4,8 milhões de unidades. A essa quantidade deve-se adicionar as novas plantas que se inauguram, como a da chinesa Chery em Jacareí, ou que serão colocadas em funcionamento, a da Fiat em Pernambuco e a da Honda, em Itirapina, no interior de São Paulo. Há também previsão de ampliação de unidades mais antigas. Mas, a produção vem caindo celeremente nos últimos anos: de 2013 para 2014 a queda foi de 15,3%; a capacidade instalada teve um uso de apenas 62% contra 77% no ano anterior. E as vendas? Estudos realizados por entidades ligadas ao setor (Anfavea) indicam que a procura, neste e no próximo ano, deve ficar em torno de 3 milhões de unidades.
 
É o retrato de um só setor. Obviamente seu desempenho afeta diversos outros segmentos e impacta de maneira negativa em toda a economia. O (des)emprego é o principal problema que resulta dessa nefasta situação, pois traz consigo o caos social. Uma solução poderia ser a exportação, mas estamos perdendo mercado ano a ano devido ao ‘custo Brasil’, à apreciação do real e às opções da diplomacia econômica. Piro. Ociosidade em alta gerará recessão.
 
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA/USP

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