Tudo para os ‘amigos’


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Qualquer tipo de regime de exceção, seja ele de direita ou de esquerda, busca exercer a sua autoridade ignorando todos os direitos individuais dos cidadãos. Ocorreu aqui no Brasil, que viveu um período negro de vinte anos com censura à livre manifestação do pensamento, prisões arbitrárias, torturas e mortes de opositores que repercutem até hoje. E ocorreu em diversos países do mundo, inclusive na América Latina, onde ainda hoje Cuba é governada com mão de ferro (primeiro por Fidel Castro e agora por seu irmão), impedindo qualquer direito às vozes dissonantes. O pior é que este tipo de regime ainda floresce em pontos tão diferentes quanto África, Ásia, Europa e Oriente Médio, praticamente todos utilizando o ‘escudo’ republicano, com eleições ditas livres e democráticas.
 
Aqui na América do Sul, bem ao lado do nosso Brasil, há mais de uma década a Venezuela vem sendo governada assim, primeiro com Hugo Chávez e agora com seu pupilo, Nicolás Maduro. O país, que recebe um apoio incondicional da diplomacia brasileira — em detrimento dos interesses e anseios da maioria da nossa população —, está mergulhado no desgoverno, com inflação galopante, desabastecimento e supressão dos direitos individuais de seus cidadãos. Recentemente, o governo central empreendeu uma caçada aos seus opositores, utilizando um aparato policial sem precedentes para prender quem abre a boca para denunciar as irregularidades. Antes disso, Maduro já tinha conseguido aprovar um instrumento que permite às forças de segurança reprimir à bala manifestações e protestos.
 
O que se estranha, diante dos fatos, é o silêncio do governo brasileiro em relação à situação do nosso vizinho. Dilma Rousseff (PT) foi à posse de Maduro para um novo mandato louvando a “revolução bolivariana” e a “democracia” na Venezuela. Das prisões arbitrárias, das mortes de cidadãos que entoam suas vozes dissonantes nas ruas e do buraco econômico que atinge a maioria dos venezuelanos, nem um pio. Bem diferente de quando o parlamento do Paraguai derrubou o presidente Fernando Lugo, anos atrás. O Brasil moveu céus e terras e conseguiu expulsar o país do Mercosul, permitindo que a Venezuela entrasse no bloco, numa evidente intromissão em assuntos internos do até então parceiro. Agora, quando o estatuto do Mercosul é flagrantemente violado, nada se faz. 
 
Este mutismo da presidente, que ignora os direitos e apoia uma ideologia capaz de calar e assassinar milhares de pessoas em nome da manutenção do poder, soa como uma afronta à cidadã Dilma Rousseff, que enfrentou o regime ditatorial no Brasil, foi presa, torturada e condenada. Uma ditadura de esquerda é menos condenável que uma de direita? Nunca. E quem pensa assim não merece viver num País como o nosso, onde a liberdade é plena e a democracia consolidada. Quem enfrentou os terrores de um regime ditatorial, sem qualquer chance de se exprimir e vivendo sob o jugo do medo e da violência, pode avaliar melhor a gravidade das ações de Nicolás Maduro, cujo mandato caminha para um fim talvez trágico, que ele parece não querer entrever.
 
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