Nada como um dia após o outro. Apontado no começo do mandado como uma das únicas vozes de oposição ao prefeito na Câmara, Luiz Vergara (PSB) mudou de lado. Ele assumiu, ontem, o papel de líder do governo no Poder Legislativo. Oficialmente, o vereador admite o convite para ocupar o posto que está vago desde o começo do ano, mas diz que ainda está estudando se aceita ou não. Na prática, porém, já começou a trabalhar para defender as propostas de Alexandre Ferreira (PSDB). Sua atuação na sessão dessa terça-feira não deixou dúvidas de que é o mais novo aliado tucano.
A decisão está longe de ser uma simples movimentação política. Há um ano, em março de 2014, Vergara foi um dos que assinaram o requerimento propondo a criação de uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) para apurar as mortes e a situação precária da Saúde. No ano anterior, ele presidiu a CEI aberta para investigar os contratos assinados entre a Prefeitura e a São José. O vereador elaborou um documento de 87 páginas em que apontou diversas irregularidades, entre elas, o fato de o prefeito ter aberto mão das cobranças de multas impostas à empresa por descumprimento do contrato. Ao final dos trabalhos, foi um dos três vereadores que votaram pela abertura de uma CP (Comissão Processante) contra Alexandre Ferreira. Caso tivesse sido aprovada, a CP poderia resultar em cassação.
Vergara disse ter sido indicado pelo ex-líder Marco Garcia (PPS) e que teve o nome aprovado pelo governo. “Hoje, posso dizer que tenho o convite oficial do prefeito. Liderança é confiança e quem tem que decidir é o prefeito. Tenho uma semana de viagem fora de Franca e, quando retornar, tenho certeza que teremos uma conversa afinada, porque eu quero ir para colaborar e melhorar a cidade.”
O vereador acredita que não está tendo uma postura incoerente ao se aliar ao prefeito em que tanto bateu nos últimos dois anos. “Os meus eleitores e a população terão o mesmo vereador Vergara. O que não for de interesse da cidade, eu serei contrário. Temos que ter um olhar futurista”, disse Vergara.
Na sessão de ontem, ele trocou confidências com o assessor-legislativo do prefeito, Edvaldo Costa, articulou o voto pró-governo com os vereadores da base aliada e foi o único a ir à tribuna para defender o veto proposto por Alexandre Ferreira ao projeto aprovado pela Câmara no ano passado - com o voto dele - e que dispunha sobre acesso à informação no município. “A política é mesmo como uma nuvem: cada hora, está em um lugar. Já estivemos juntos, agora, estamos em lados opostos”, ironizou Márcio do Flórida (PT).
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