Desde o início das investigações da Operação Lava Jato, que descobriu um rombo imenso causado por um esquema de fraudes e corrupção que funcionava, há mais de uma década, na Petrobras, a maior estatal brasileira, o brasileiro se sente indignado. Dinheiro da empresa vinha abastecendo os cofres de partidos, políticos, diretores da estatal, empreiteiras e doleiros de forma sistemática, o que causou uma queda no valor de mercado da petroleira e nas suas ações, comercializadas em Bolsas de Valores do mundo todo. Quem acreditou na sanidade das finanças da Petrobras, como os milhares de brasileiros que investiram o dinheiro do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) na estatal, anos atrás, ainda no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, perdeu muito dinheiro.
Agora, sindicalistas da CUT (Central Única dos Trabalhadores), ligada ao PT (considerado um dos maiores beneficiários do esquema descoberto pela Lava Jato), resolveram promover um ato em defesa da empresa, a ser realizado na sede da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), chamado ‘Defender a Petrobras é defender o Brasil’. A manifestação deverá contar com a presença do ex-presidente Lula e, segundo o publicado na página da Federação Única dos Petroleiros, os organizadores se dizem a favor das investigações e da punição de culpados, mas denunciam uma “campanha visando à desmoralização da Petrobras”.
Estava demorando para que os argumentos dos petistas sobre as investigações ganhassem corpo maior que as postagens feitas até agora nas redes sociais. O texto convocando o ato ainda coloca em dúvida o processo de investigação, capitaneado neste momento pela Polícia Federal, pelo Ministério Público e pela Justiça do Paraná. Segundo os organizadores, foram empregados métodos para a obtenção de provas que podem ‘levar à nulidade processual’. Não é de se espantar ser esta justamente a justificativa dos advogados dos presos ligados às empreiteiras acusadas de formar um clube para ratear obras — e propinas — na Petrobras. E a cantilena continua, ressaltando ‘o crescimento da empresa durante os governos do PT’ e diz que a estatal sofre “ataques especulativos”.
O problema, até agora, é que ninguém, sindicalistas ou políticos que hoje se colocam como “defensores” da petroleira, mesmo que atolados até o pescoço no lamaçal da corrupção, se posicione em defesa dos pequenos investidores (chamados não especulativos), que acreditaram na sanidade da companhia e investiram o saldo de seus FGTS em ações da empresa. Eles terão o dinheiro ressarcido? E o Brasil, também será defendido destes abutres que só se preocupam em engordar os seus patrimônios mesmo que à custa da Saúde, da Educação e do Saneamento Básico que deveriam ser prioridades em nosso País? É criminosa e acintosa a forma como estão dilapidando a máquina pública brasileira. É estranho e indigno o desinteresse em defender os verdadeiros patrões de entes públicos, os contribuintes.
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