Uma árvore marcada para morrer. O desenho de um X branco no tronco de uma paineira às margens da rodovia Cândido Portinari foi o suficiente para dar início a uma mobilização popular para impedir sua derrubada. A ação deu certo e, ontem, o DER (Departamento de Estradas de Rodagem) afirmou que a árvore permanecerá onde está.
Na verdade, não se trata de uma, mas de 13 árvores, todas localizadas em frente ao Posto Paineirão, na saída para Cristais Paulista. A paineira deu nome ao bairro, ao posto e é referência há décadas. As árvores seriam retiradas para a duplicação da pista.
Para os funcionários do posto Paineirão, seria uma perda irreparável. Um frentista disse que qualquer pessoa idosa que passa pelo local relata que a imensa árvore já era grande como hoje na época em que eram crianças. “Pelo jeito que está, com esse sinal aí, vão arrancar mesmo. Dá muita pena, porque ela é uma árvore linda”, disse.
Nas redes sociais, o movimento contra a derrubada foi encabeçado pelo professor de biologia Mateus Domingos Mendes Silva. Em julho de 2013, ele entrou com um pedido de tombamento no Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico) de Franca. “Trata-se de um patrimônio natural, histórico e cultural de Franca. Deu nome ao bairro e é centenária”, ressaltou.
Nos próximos dias, Silva pretende recorrer à Câmara na tentativa de conseguir que um projeto de lei seja aprovado garantindo que a árvore permaneça íntegra. “Há maneiras de as obras serem modificadas como forma de manter a árvore onde está. A intenção é que ela fique em um canteiro central, por exemplo.”
Paineira será mantida
No final da tarde de ontem, a assessoria de imprensa do DER informou por e-mail que a paineira não será derrubada. Segundo a nota, o projeto executivo da obra não prevê a necessidade de que a árvore seja arrancada.
Célia Tavares, presidente do Condephaat de Franca, confirmou que um processo de tombamento da paineira foi aberto pelo Conselho, com pareceres favoráveis de todos os conselheiros. Com isso, o responsável pela conservação da árvore, que é o DER, foi informado da intenção do Conselho de proteger aquele bem como patrimônio cultural e natural de Franca.
Após a comunicação, o DER tem 30 dias para se posicionar sobre o caso, prazo que deve vencer em três semanas. Depois disso, o bem estará definitivamente protegido, mesmo durante o trâmite do processo e independentemente de sua aprovação ou não.
De acordo com Célia, não houve nenhuma manifestação contrária à preservação da árvore pelos responsáveis do DER e, dentro do Conselho, tudo indica que seu processo de tombamento será aprovado. “Todos concordamos com a importância daquela paineira para a cidade, para o bairro, sem contar que é uma árvore belíssima”, comentou Célia Tavares. “O DER deve realizar um desvio no trecho da obra que passa por ela.”
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