Normalmente quente pelo clima político, a Prefeitura de Restinga pegou fogo, literalmente, na madrugada de ontem. Dois homens jogaram um coquetel molotov no prédio que se incendiou rapidamente. As chamas se concentraram no setor administrativo e também central de computadores, onde ficam documentos, notas fiscais e servidores. Os bombeiros foram acionados e tiveram trabalho para apagar o incêndio. Dois homens, ambos moradores de Franca, foram presos em flagrante. A Polícia Civil trabalha com a possibilidade de ter ocorrido um crime por motivação política.
Acostumada a se reunir diante da praça central para acompanhar as constantes trocas de comando na Prefeitura, a população dessa vez saiu às ruas para assistir à sede do Poder Executivo pegar fogo e para acompanhar a ação dos bombeiros. Minutos depois, fotos da ocorrência já bombavam nas redes sociais.
O incêndio aconteceu por volta da uma hora da madrugada. O silêncio típico desse horário foi quebrado pelo barulho de uma bomba. Em princípio, imaginou-se que seria mais uma ação da quadrilha especializada em explodir caixas eletrônicos. Mas, desta vez, o alvo era outro. “Fazíamos patrulhamento pela cidade, quando ouvimos o estrondo. Nos deslocamos para o Centro e visualizamos o incêndio no prédio da Prefeitura”, disse o cabo Giovanni.
A fumaça tomou conta de todas as instalações. Mas o fogo se concentrou no setor de arquivos. Diversas caixas com documentos diversos, como ordem de pagamentos e de serviços e notas, foram queimadas. Segundo a polícia, os autores sabiam o que estavam fazendo e atacaram diretamente o cômodo onde estavam os materiais. Câmeras de segurança da Câmara Municipal filmaram dois homens se aproximando com galões com gasolina nas mãos e saindo correndo logo em seguida.
A bomba de fabricação caseira foi jogada pela janela lateral do prédio. A rápida intervenção dos bombeiros impediu que as chamas se alastrassem por toda a Prefeitura. Ainda na manhã de sábado era possível ver as caixas com os documentos queimados, computadores derretidos e os estragos causados nas paredes, portas e móveis. Ninguém se feriu.
Populares disseram que horas antes do incêndio, na tarde de sexta-feira, o Ministério Público teria feito apreensões na prefeitura. O promotor do caso não foi localizado para confirmar a informação.
Prisão
Populares disseram aos policiais que viram dois homens correndo e, em seguida, entrando em um Escort escuro e fugindo no sentido de Franca. Foi acionado reforço e montado um cerco na entrada da cidade. “Visualizamos o veículo e conseguimos abordá-lo. Os dois indivíduos negaram participação, mas as roupas que usavam são as mesmas dos suspeitos que aparecem nas imagens. Um deles, inclusive, estava com a camisa molhada e cheirava a gasolina”, disse Giovanni.
Foram detidos o funileiro Ademir Raimundo, 42, e Ilson Donizete Brandieri Júnior, 19, que, segundo a polícia, tem passagem por latrocínio, roubo seguido de morte. Os dois foram autuados em flagrante pelo delegado Luciano Henrique Cintra, pelo crime de incêndio, e levados para o CDP.
A Polícia Civil de Franca classificou o caso como grave e de imediato comunicou as instâncias superiores. A Delegacia Seccional encaminhou o caso para a DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e dois investigadores começaram a trabalhar na apuração. “Os celulares dos autores foram apreendidos e as últimas chamadas serão rastreadas para sabermos com quem eles conversaram. Vamos trabalhar para chegar aos eventuais mandantes deste crime. A hipótese de um crime político será investigada”, disse o delegado Daniel Paulo Radaeli.
A equipe de investigação aguarda o laudo da perícia e ouvirá funcionários da Prefeitura para constatar quais documentos foram destruídos pelo incêndio. “Existe a possibilidade, sim, de ter havido uma queima de algum arquivo importante de eventual delito cometido. Pelas imagens que vimos, os dois indivíduos foram determinados em colocar fogo naquele ponto fixo da Prefeitura, onde ficam os empenhos”, concluiu o delegado Radaeli.
O atentado ao prédio aconteceu dias antes da Justiça decidir sobre os rumos políticos de Restinga. Nesta segunda-feira, o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) deverá analisar o processo movido pela vice-prefeita da cidade, Luciene Martins Faria Fernandes (PRB), que tenta retornar ao cargo. O presidente da Câmara, Juvêncio Ferreira de Menezes Filho, o Ferreirinha (PSC), é o prefeito interino desde o dia 1º de janeiro. Uma liminar concedida à Luciene, pela Justiça de Franca, impediu a realização da eleição indireta que aconteceria no mês passado.
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