Uma auxiliar administrativa moradora do Bairro São José está pedindo na Justiça R$ 45 mil de indenização contra a Prefeitura de Franca. No ano passado, ela quase perdeu os movimentos dos dedos do pé depois que teve o tendão cortado e os médicos que a atenderam no Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” não perceberam, segundo o advogado dela, Tiago Carrera. Até hoje, ela anda com o auxílio de muletas e faz sessões de fisioterapia.
O caso, segundo Carrera, aconteceu no dia 15 de maio do ano passado. A auxiliar trabalhava em uma máquina de torno para conseguir uma verba extra quando uma das peças se soltou e atingiu seu pé direito, provocando um corte profundo.
Ela foi socorrida para o PS, onde, sempre de acordo com seu advogado, foi atendida com descaso. “Assim que ela entrou no consultório, o médico já a levou para a sala de sutura. Nem ouviu o que ela dizia. Antes mesmo que a anestesia começasse a fazer efeito, já começou a costurar o corte”, disse ele.
Tiago diz ainda que a auxiliar não conseguia mexer os dedos do pé. “Ela disse isso ao médico, mas ele mal deu atenção. Respondeu que era normal por causa da anestesia e a mandou para casa”.
Quinze dias depois, no dia 30 do mesmo mês, ele disse que a auxiliar continuava sem conseguir mexer os dedos e procurou novamente o pronto-socorro. “Um outro médico a atendeu e, de novo, disse que ela não tinha nada. Não fez nenhum exame. Não deu explicações. Disse apenas que os movimentos voltariam naturalmente”.
Inconformada com a falta de movimentos e preocupada, a auxiliar voltou pela terceira vez ao PS, no dia seguinte, conforme relata seu advogado. “Só então um terceiro médico a ouviu e decidiu examinar o pé. Nem precisou de exames auxiliares. De pronto, ele já disse que o tendão havia sido rompido e por isso ela não conseguia mexer os dedos”, disse ele.
O médico a encaminhou para uma cirurgia de emergência na Santa Casa de Franca. “Mas, mais uma vez, ela se deparou com a falta de presteza do serviço público. Apesar da emergência, a Secretaria Municipal, que é quem autoriza a cirurgia, disse que o agendamento levaria meses”.
Sem outra alternativa e para não perder os movimentos definitivamente, a auxiliar decidiu contratar um plano de saúde particular sem carência. Pela rede particular, ela foi operada no dia 3 de setembro de 2014. “Como houve uma demora de mais de quatro meses entre o ferimento e a cirurgia, seu tendão acabou encurtando. A operação foi muito delicada. Ela ainda tem sequelas. Anda com muletas e sente dores”. Para o advogado, houve erro por parte dos médicos do PS. “Eles não a examinaram. Não ouviram suas queixas. Deveriam no mínimo ter analisado o corte antes de suturar”. Por conta disso, a auxiliar decidiu procurar a Justiça e está pedindo uma indenização de R$ 45 mil. A ação corre na Vara da Fazenda Pública e não tem data para ser julgada.
Silêncio
O Comércio procurou a Secretaria Municipal de Saúde e a Assessoria de Comunicação da Prefeitura entre os dias 13 e 19 de fevereiro, por email e por telefone, para que se manifestasse a respeito, mas não houve resposta. Na última quinta-feira, a Assessoria de Comunicação informou que o caso estava em análise e um posicionamento seria encaminhado por email. Mas até o fechamento desta edição, a resposta da Prefeitura não havia chegado.
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