Existe a fome, caracterizada pela baixa ingestão de nutrientes, que nos faz viver menos, pesar menos, aprender menos. A fome é a característica básica, fisiológica e natural a todos os homens e animais - e a fome se mata comendo, ingerindo nutrientes. E isso parece uma equação simples, temos em mãos os valores nutricionais que os alimentos devem ter para que sacie a fome de um homem.
Mas existe a “fome não saciada”, uma espécie de tabu na nossa sociedade, muitas vezes nem o governo, nem o cidadão sabe como ajudar, porque a fome não saciada pode advir de um empecilho cultural, e não orgânico. Quando a não ingestão de alimentos se dá por barreiras culturais é a antropologia e não mais a biologia que deve ser acionada.
Parece impossível que alguém pereça diante de algo que sirva para comer, crescemos ouvindo que o “melhor tempero da comida é justamente a fome”, que “em barriga cheia, goiaba tem bicho”. O natural é que o homem, na fome, coma e sinta prazer com isso, qualquer alteração nesse quadro representa máxima gravidade. Andei estudando casos de fome não saciada por problemas culturais e como sempre os casos nos parecem absurdos só porque não fazem parte de nossa cultura.
Exemplo: em algumas tribos africanas, o alimento tem que ser servido primeiramente aos homens, depois às mulheres, para só em seguida chegar às crianças. Portanto, alimentos direcionados às crianças só serão de fato entregues a elas se a comida dos homens chegar primeiro e em segundo a das mulheres. Mesmo que com isso a criança pereça.
Outro: numa região do Peru, onde havia grande mortalidade infantil, a fartura de alimentos não conseguia reduzir a mortalidade das crianças. Foram in loco saber o que acontecia. As mães dessa localidade consideravam a fisiologia das crianças muito sensível e incapaz de digerir alimentos sólidos. Também não aceitavam ministrar suco de frutas porque, se misturados ao leite, acreditavam ser capaz de matar as crianças. O que se fez foi a liquidificação dos alimentos sólidos para que, enfim, as crianças fossem alimentadas.
Mais um: uma tribo americana não aceitava nenhuma comida que não tivesse aroma do milho, ou maïs, conforme eles o chamam. A saída para que eles aceitassem os suplementos nutricionais foi criar um aromatizante sintético idêntico ao milho para que eles os identificassem como comestíveis.
Somos universalmente complexos, não é a pobreza, não é a indigência nem a escassez do mais básico para a subsistência que fará de nós homens sem pátria. A cultura muitas vezes está na frente, até da fome.
DICA DA SEMANA
Tapioca
Acho que muita gente, principalmente as mulheres, estão ligadas nos benefícios da tapioca, virou moda. Mas, para além da moda, a tapioca é irresistível. Feita de fécula de mandioca, não contém glúten, o que pode ser um benefício, pois, com moderação serve aos diabéticos.
O chato dela era hidratação, podia formar grumos, hoje em dia tem a tapioca hidratada, bem fina que dispensa peneira, é comprar, abrir o saquinho e fazer. Os discos prontos, bem, eu os acho pesados, uma vez que a medida para se fazer cada tapioca pode ser reduzida a metade ou mais!
De posse da farinha de tapioca hidratada é só por a frigideira para esquentar, sem óleo. O único cuidado é a hora de se colocar o recheio. Espalhe por toda a frigideira a farinha, vai parecer uma linda renda, parece até uma finesa de artesanato. Quando as bordas começarem a se levantar, pode colocar o recheio. Se a tapioca é obra de regime e você fez uma rendinha fina, opte por recheios mais sólidos, muita água vai fazê-la se desmanchar. Bom apetite!
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